A eficácia da terapia fonoaudiológica em dois casos de mordida aberta anterior sem intervenção ortodôntica
 

Rina Lamboglia Teixeira de Araujo ( * )
Irene Queiroz Marchesan ( ** )
 

CASO 1

Descrição do quadro
Paciente: gênero masculino, 5 anos e 4 meses, encaminhado para avaliação fonoaudiológica por alergista por apresentar respiração oral, e sem condições econômicas para a realização de tratamento ortodôntico.

História clínica
Usa chupeta para dormir;
à noite ronca e baba;
respira pela boca;
mãe tem mordida aberta anterior e interposição de língua na fala.

Exame clínico
Dificuldade de mobilidade de língua, principalmente na elevação;
boca aberta com língua baixa, mas não protrusa;
mordida aberta anterior de 4 mm;
tensão de mentual;
imprecisão na fala em fonemas sonoros e grupos consonantais com /r/ brando;
frênulo lingual curto de difícil visualização, dificultando a elevação da língua.

Diagnóstico fonoaudiológico
Alteração miofuncional orofacial caracterizada por: respiração oral; lábios entreabertos; tensão mentual; língua baixa; frênulo curto; imprecisão articulatória e dificuldade de mobilidade de língua.

Evolução do caso: terapia
Conscientização sobre a importância da respiração nasal com exercícios para a instalação da mesma pelo nariz;
exercícios de mobilidade e melhor posicionamento da língua;
trabalho de propriocepção;
trabalho com a fala;
busca do envolvimento da família no trabalho realizado.

Terapia
24 encontros sendo:
11 sessões semanais
1 reavaliação
9 sessões quinzenais
1 reavaliação
alta controlada com 2 reavaliações
alta definitiva

Conclusão do caso
Respiração se tornou nasal;
língua melhor posicionada;
hábito da chupeta abandonado;
musculatura orofacial equilibrada;
fala com maior precisão.

Todos esses fatores permitiram grande melhora da mordida aberta anterior sem necessidade de intervenção ortodôntica neste momento.
 

Avaliação
1º  Reavaliação
2°  Reavaliação

CASO 2

Descrição do quadro
Paciente: gênero feminino, 8 anos e 7 meses, encaminhado para avaliação fonoaudiológica por odontopediatra por apresentar respiração oral e alteração de fala, sem condições econômicas para a realização de tratamento ortodôntico.

História clínica
Respira pela boca;
usou chupeta até 3 anos e mamadeira até 4 anos;
às vezes suga polegar;
apresenta dificuldades na escola;
troca letras na fala.

Exame clínico
Dificuldade de mobilidade de língua, principalmente na elevação;
boca aberta com língua baixa e protrusa;
mordida aberta anterior
tensão de mentual;
imprecisão no fonema /r/ brando;
frênulo lingual curto;

Diagnóstico fonoaudiológico
Alteração miofuncional orofacial caracterizada por: respiração oral; lábios entreabertos; tensão do m. mentual; língua baixa e protrusa; frênulo curto; imprecisão articulatória e dificuldade de mobilidade de língua.

Terapia
Conscientização sobre a importância da respiração nasal com exercícios para a instalação da mesma pelo nariz;
exercícios de mobilidade e melhor posicionamento da língua;
trabalho com a fala;
busca do envolvimento da família no trabalho realizado.
29 encontros sendo:
16 sessões semanais
1ª reavaliação
13 sessões quinzenais
2ª reavaliação
alta controlada com 2 reavaliações

Conclusão do caso
Respiração se tornou nasal;
língua melhor posicionada;
musculatura orofacial equilibrada;
fala com maior precisão;
grande melhora da mordida aberta anterior sem necessidade de intervenção ortodôntica
 

Avaliação em 10-05-04
Reavaliação em 31-08-05



*  Fonoudióloga
    Especialização em  Motricidade Oral - Ortodontia e Fala- CEFAC
    Monografia: A relação entre Mastigação e Articulação Temporomandibular
    Estágio Supervisionado em Audiologia do Trabalhador
    Estágio Supervisionado em Atenção Primária em Fonoaudiologia
    Estágio Supervisionado em Fonoaudiologia em Psiquiatria

** Fonoudiologa
     Especialista em “Motricidade Oral”
     Mestrado em Distúrbios da Comunicação
     Doutora em Educação pela UNICAMP
     Diretora do CEFAC – Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica.