LIMÍTES ENTRE TRATAMENTO ORTO-CIRÚRIGO E ORTODÔNTICO


Onde estão os limites entre casos ortodônticos e orto-cirurgicos ?

Esta pergunta nos fazem os pacientes, colegas e nós mesmos nos perguntamos....

Por certo que cada caso é um caso e deve ser avaliado detidamente com todas suas peculiaridades.

Nos pacientes jovens, com dentição decídua ou mista, mesmo com discrepâncias esqueléticas graves, deve ser realizado tratamento precoce, não cirúrgico.  Mesmo porque não se pode operar pacientes em crescimento,  salvo casos teratológicos.  Então, algum procedimento deve ser feito, quando menos seja para minimizar as discrepâncias dento alveolares existentes. Este tratamento precoce pode ser ortopédico, com assistência fonoaudióloga. Há relatos de casos em que a mordida fechou exclusivamente com a educação da língua. ( caso 1 - caso 2 )  O tratamento ortodôntico, com gomas intermaxilares é, também, uma boa opção.

Pacientes adultos, com discrepâncias cefalométricos moderadas,  podem ser compensadas com tratamento ortodôntico adequado e desgastes oclusais. Pacientes adultos com discrepâncias cefalométricas graves são cirúrgicos.

Esta é uma visão genérica que carece de objetividade.  Quando a discrepância esquelética é grave ou moderada ?
É moderada quando pode ser corrigida com movimentos dento alveolares e desgastes. Ai entra a experiência, conhecimento e habilidade do profissional.
Devem ainda ser considerados, além da idade do paciente, outros fatores individuais, inclusive a disposição do paciente em realizar cirurgia. A cirurgia ortognata é eletiva, o paciente pode não querer este tratamento e o profissional deve avaliar outras possibilidades, mesmo que não atinjam a excelência.

Pacientes adultos, com discrepância esquelética, sejam póstero anteriores, verticais ou transversais, representam dificuldades, algumas vezes insuperáveis,  que dificultam ou impedem compensar a disrelação com o processo dento-alveolar.  A cirurgia ortognata transforma o mau balance esquelético em boas relações, facilitando o tratamento ortodôntico e possibilitando resultados significativamente melhores.

Nos casos de mordida aberta, com intervenção da língua, deve-se avaliar cuidadosamente a possibilidade de glosectomia parcial.  Para tanto é necessário avaliar o tamanho da língua, o que até então tem sido feito de forma subjetiva, ainda que alguns métodos tenham sido tentados.
Há dificuldades em avaliar um músculo que se modifica em comprimento e largura nos seus movimentos. E seu posicionamento também deve ser considerado. Amígdalas hiepertrofidas projetam a língua para frente.

Cléber Bidegain Pereira