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Língua: Causa ou efeito da mordida aberta?
Manifestação dos Coordenadores



Apresentação sistematizada em formato moderno - Veja explicações

Cléber Bidegain Pereira
Gabriela Correia Ferreira


É sinal patognomônico, a língua interpor-se entre os dentes, nos casos de mordida aberta, quando menos seja na deglutição. Este fato independe da etiologia da mordida aberta e do tamanho ou posicionamento da língua. Quando a língua não encontra os limites do seu continente projeta-se para frente. Nestes casos, percebo duas linhas de condutas terapêuticas:

  1. "Fechar a porta" - que a língua encontra aberta - fazendo com que ela volte para seu continente, corrigindo a mordida aberta com tratamento ortodôntico1, orto-cirúrgico2, colocação de grade3 , desgastes oclusais nos posteriores4 e outras alternativas semelhantes, conforme a idade e as peculiaridades do caso.
  2. Educando a língua para que ela restrinja-se ao seu espaço, usando recursos da fonoaudiologia dentição decídua5 e recursos da fonoaudiologia dentição mista6, espigões7 e outros meios
As duas condutas podem ser aplicadas simultaneamente ou isoladamente.

Manifestação 1

Observando-se as duas imagens que seguem, surpreende que não exista mordida aberta.... Eis uma bela lição que a natureza nos mostra... Caso Burlington8 e caso Sambaqui9, com a disrelação esquelética que apresentam - DV inferior maior que o normal e ângulo goníaco muito aberto, por significativa micrognatia do ramo mandibular - seria de esperar que houvesse mordida aberta.
Casos semelhantes, com esta discrepância esqueléticas e mordida aberta, logo seriam classificados como de etiologia esquelética... Conclue-se então que não é correto atribuir etiologia das mordidas abertas, considerando-se somente as estruturas esqueléticas. E é lícito conjeturar que as discrepâncias esqueléticas podem ser apenas fatores predisponentes e que os maus hábitos são os fatores determinantes. Clique nas figuras para ter mais informações sobre estes casos

Burlingnton
Sambaquis
Caso 1381 colhido no estudo do Burlingnton
Caso do estudo em Crânios de Sambaquis

Comprova-se aqui a plasticidade alveolar e sua capacidade de compensar disrelações esqueléticas graves. O caso 1381, colhido na coleção longitudinal do Burlington, pode ser acompanhado em cefalogramas dos 6, 9, 12 e 20 anos, CASO 1381 o qual não teve nenhum tratamento ortodôntico e em nenhum momento abriu a mordida. O caso do Crânio de Sambaqui impressiona, muito especialmente, porque toda a amostra examinada e o que se conhece de outros estudos, mostram crânios com goníaco fechado e poderosos ramos mandibulares, constituindo característica desta população.

Manifestação 2

Mordidas abertas podem ser corrigidas, de diversas maneiras, em diferentes idades 1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 e 7 Mordidas abertas podem não ocorrer em casos com severa discrepância vertical8 e 9. Recidivas de Mordidas abertas anteriores acontecem, com freqüência significativa, em casos terminados com êxito. Ocorrem tanto em tratamentos ortodônticos10 quanto em orto-cirúrgico11.

Manifestação 3

Adultos, com discreta mordida aberta anterior, podem ser tratado com desgastes e/ou ortodontia. Adultos com severa mordida aberta são cirúrgicos. Os limites entre casos com indicação de cirurgia/orto ou ortodontia são difíceis de se estabelecer com precisão. Complica-se mais ainda quando há imposição pessoall, contra a cirurgia, do paciente ou seus responsáveis. Então é feito tratamento ortodôntico e desgastes além do que seria ideal.
Na dentição decídua ou mista, em qualquer circunstância, mesmo com discrepância esquelética grave, deve ser tentado tratamento não cirúrgico. O tratamento ortodôntico, ortopedico ou fonoaudiólogo deve ser realizado na dentição mista ou decídua, mesmo que mais tarde possa haver indicação cirúrgica. Tratamento não cirurgico deve ser realizado na dentição mista ou decídua, quando menos seja, estará evitando que se apresente ainda mais grave na idade adulta. Além de que o paciente em dentição mista está em pleno crescimento crânio facial e seria temerário e imprudente fazer cirurgia nesta idade, exceto em casos teratológico.

Manifestação 4

Nos casos de recidiva, pode que a língua seja a causa, devido a hipertrofia lingual ou mesmo língua de tamanho normal, mal posicionada, seja por maus hábitos ou projeção para frente devido a amigdalas hipertorficas. No entanto, a participação da língua é uma conjetura. A maioria dos casos de mordida aberta, quando fechados, seja com cirurgia ou ortodontia, ficam estáveis sem que a língua tenha sido educada, apenas pelo seu reposicionamento em seu continente ( porta fechada ). Fica então aberto o debate sobre a real participação da língua nas mordidas abertas. Evitar a recidiva é sempre difícil e uma incógnita. Veja manifestação do Prof Jüri Kurol.



Referências Bibliográficas

1 - Caso de mordida aberta anterior com tratamento ortodôntico interceptivo e corretivo
2 - Caso de "mordida a aberta anterior", em adulto, com tratamento orto-cirúrgico
3 - Tratamento de Mordida aberta com grade anterior
4 - Mordida aberta corrigida com desgastes oclusais e ortodontia
5 - Eficácia da terapia fonoaudiológica em dois casos tratados sem interevenção ortodôntica, dentição decídua
6 - Tratamento da Mordida aberta com fonoaudiologia exclusivamente, dentição mista
7 - Mordida aberta corrigida com espigões
8 - Severa discrepância esquelética compensada pelo processo alveolar ( casuística Burlington )
9 - Severa discrepância esquelética compensada pelo processo alveolar ( crânios Sambaquis )
10 - Caso clínico de recidiva de tratamento ortodôntico
11 - Caso clínico de recidiva de tratamento orto-cirúrgico


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