![]() |
TRANSCRITO DE NOVA VISÃO EM
ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL ( LIVRO DO CONGRESSO - ORTO 2000 ) COORDENADORES: Eduardo Sakai, Norberto dos Santos Martins, Sylvia Corrêa Fiuza, Ricardo Luiz de Lima Barbosa, João Grimberg, Jairo Corrêa, Cléber Bidegain Pereira, Luiz Sérgio Alves Machado, Nirvan Marton, Alfredo Manuel dos Santos e Osny Corrêa. EDITORA SANTOS 2.000 |
Aspectos Funcionais da Análise de Jarabek e Rocabado
Dra. Sonia Flaquer Martins
A experiência clinica tem nos levado a nos preocupar, cada vez
mais, com os resultados finais do tratamento ortodontico, procurando brindar o
paciente com a verdadeira estabilidade, tentando evitar, dessa forma, a tão
indesejada recidiva.
Tendo em vista a possibilidade de
alteração da oclusão após algum tempo do tratamento ortodôntico, principamente
por alteracão da postura global, por aquisição de hábitos ou pela busca de
maior conforto oclusal, pelo menos duas correntes, com princípios funcionais
divergentes nos procedimentos iniciais com finalidade de diagnóstico.
A primeira, se utiliza de "'placa desprogramadora", montagem
dos modelos iniciais em articuladores e, posteriormente, faz a tomada da
telerradiografia em norma lateral para a realização das medidas cefalometricas
em posição funcional verdadeira.
A segunda, partindo de
procedimentos mais simples e imediatos, quando da obtenção da documentação
radiografica inicial, conjuga experiências para determinar relações
craniovertebrais, curvaturas vertebrais, relações funcionais da oclusão e vias
aéreas, fazendo a tomada radiografica cefalométrica inicial, em postura natural
da cabeça (NHP), chegando assim, como a outra corrente, a diagnóstico
preciso, pois consegue a verdadeira oclusão do paciente (Figs. 27. 1 e
2).
Para comprovar a validade da postura natural da
cabeça, muitos autores tem pesquisado e comparado os resultados da
telerradiografia lateral tomada pelo padrão proposto por Broadbent em
1931, no qual o paciente é manipulado e levado a uma posição estática por meio
do cefalostato e do posicionador nasal com a telerradiografia lateral pelo
padrão proposto por Rocabado 5 em 1984, em postura natural de cabeça,
que para obtê-la, o paciente é preparado para relaxar os ombros segurando um
peso de 1 ou 2 quilos em cada mão, dependendo da idade, apoiado em ambos os pés,
afastados dez centímetros a fim de estabelecer o equilíbrio corpóreo, olhando
para um espelho, tendo neste momento o cefalostato levemente encostado em um de
seus condutos auditivos, com a intenção de manter a real lateralidade, sem
interferir na posição súpero-inferior que teria em situações que não da tomada
radiográfica (Figs. 27. 3 a 6).
Seguindo essa
linha de interesse prático e funcional, três monografias foram apresentadas à
APCD regional de São Caetano do Sul.
- Marton
4, 1999 -
realizou pesquisa comparando os resultados das medidas cefalométricas
F.NP, SNA, SNB, ANB, SND, NS.GoMe, por meio dos dois métodos e chegou-se a
conclusão de que todas as medidas avaliadas foram estatisticamente
significativas, indicando que os valores obtidos pelo método convencional não
traduzem com exactidão a morfologia do paciente.
-
Uchida,7 1999 -
comparou nos tipos faciais braqui, meso e dolico o ângulo CV (craniovertebral) e
O-A (espaço occipital-atlas), propostos por Rocabado 5, em radiografias laterais tomadas pelo
padrao tradicional e pela postura natural de cabeca. A autora concluiu que, com
relacao ao CV, houve diferenca nas medias obtidas em ambas as técnicas, porém,
no grupo dolico, foi estatisticamente significativa. Para as medidas de
O-A apenas no grupo braqui houve diferença estatatística significante.
- Siqueira 6, 1999 - avaliou pacientes portadores de
dor orofacial, por meio de exames clínicos comparando telerradiografias tomadas
pelo padrão convencional e também nelo método da posição natural da cabeça ( NHP
), medindo o ângulo CV e O-A.
Observou-se que
houve diferenças bastante significativas, comprovadas estatisticamente.
Concluiu que a técnica de Rocabado 5 proporciona a observação corretas das
estruturas craniocervicais.

Baseado na proposta de Bjork que procurou fracionar a avaliação
cefalometrica principalmente da mandíbula com as outras estruturas do complexo
craniofacial, Jarabak 2 ( 1975) propôs sua análise, que considerada de extrema utilidade para o
diagnóstico e planejamento ortodôntico e ortopédico, porque, tendo em vista o
aspecto morfológico das estruturas anatômicas, considera a previsão de
crescimento como referencia à determinação de uma predisposição específica
para cada tipo de maloclusão e pode também prever posturas funcionais
inadequadas.
Com interesse em complementar as pesquisas
já existentes, julgamos viável comparar as medidas: S-N, Ar-Goc, N-Me,
S-Goc, Goc-Me, S.Ar.Goc, propostas por Jarabak, e H (angulo hioídeo), CV (angulo
craniovertebral) e O-A (distância do occipital ao atlas), propostas por
Rocabado.
Para a análise, 35 indivíduos de ambos os
sexos, cuja idade variou de 7 a 32 anos, foram submetidos a técnica radiografica
convencional e em NHP, realizadas na mesma sessão e pelo mesmo técnico; após as
mensurações das medidas de interesse, foi realizada a avaliação
estatística.
Com o objetivo de obter uma caracterização
dos dados, realizou-se as seguintes medidas descritivas: mínimo, máximo, médio e
desvio padrão. Com o propósito de avaliar se as duas técnicas fornecem valores
similares, utilizou-se o teste "t" de Student, apurando resultados que foram
considerados significativos para uma probabilidade de significância ( p )
inferior a 5% ( p < 0,05), tendo portanto, pelo menos 95% de confiança
nas conclusões apresentadas (Tab. 27. 1A).
A tabela 27.
1A apresenta a amostra com o resultado das mensurações propostas por Rocabado
5. A tabela 27.1B
apresenta a amostra com o resultado das mensurações das medidas propostas por
Jarabak 2.

A tabela 27.2 e o gráfico 27.1 demostraram que as duas técnicas
diferiram de modo significativo quanto as seguintes medidas: H, S-N, S-Ar,
Ar-Goc, N-Me, e S-Goc ( p<0,05). As medidas CV, O-A, Goc-Me e S.Ar.Goc,
apresentaram uma significância igual ou maior que 5 % ( p 30,05 ). Foi constatado que o ângulo H
apresentou um valor significativamente maior no padrão convencional.
Viazis 3 em seu artigo de 1991, referiu-se às pesquisas que demonstraram que o
ponto S pode variar tanto vertical como horizontalmente, podendo alteas todas as
medidas que têm esse ponto como referência: citou também que o Plano de
Frankfort (que na técnica convencional é paralelo ao solo) nem sempre coresponde
ao real aspecto funcional do paciente, podendo indicar tipos faciais incorretos,
relatou também os planos de referência intracranianos, mostrando que podem
apresentar variação com a idade. Portanto uma tomada radiográfica convencional,
segundo, pode apresentar alterações conforme a posição e a idade do
paciente. Quando a telerradiografia é tomada em NHP, apresenta um alto
grau de confiabilidade porque a posição natural da cabeça é altamente
reproduzível em qualquer situação ( Fig. 27. 7 ).
Para
confirmar os resultados auferidos foram realizados testes clínicos e
fotográficos constatando que a postura forçada da cabeça pode levar a avaliações
do padrão facial diferente daquele apresentado em NHP, pois sempre que havia
extensão, o paciente tendia a retrair a mandíbula, o que levava clinicamente a
uma Classe II dentária e seu padrão facial levava a crer que fosse braquifacial,
quando havia flexão, o paciente projetava a mandibula mostrando uma Classe III
dentária, levando a crer que havia rotação da mandíbula no sentido horário,
dando um aspecto dolicofacial.
|
Com relação ao resultado obtido nas mensurações do
angulo H. na presente amostra, buscamos justificativas em
Rocabado 5 quando se referiu ao osso hióide que proporciona fixação para os músculos, mandíbula, crânio, fáscia faringeana e coluna cervical, sendo considerada uma estrutura anatômica única por não ser articulada ou possuir junta com a espinha cervical, porém, é ligada a ela através da fáscia cervical. Dois grupos de músculos atuam reciprocamente com o osso hióide: os supra e os infra-hióideos, que possuem funções muito importantes na determinação da curvatura da espinha cervical. A função normal realizada pelos músculos supra e |
Referencias bibliograficas
1. BROADBENT, B.H. A new x-ray technique and its application to ortodontia. Angle Orthod., v. 1, p-45-66, 1931.
2. JARABAK, J.R.; FIZZELL, J.A. Aparatologia del arco de canto. Buenos Aires, Ed. Mundi v. 1, cap. 5, p.129-67, 1975.
3. JOHNSON, R.; BHATTACHARYYA, G. Statistics principles and methods . New York: John Wiley & Sons, p. 578, 1986.
4. MARTON, N. Monografia apresentada a EAP-AP regional de São Caetano do Sul - SP, 1999.
5. ROCABADO, M. Analisis biomecanico craneo cervical através de una teleradiografia lateral. Ver. Chilena Ortod, v.l, p. 42-52, 1984.
6. SIQUEIRA, L. Monografia apresentada à EAP-APCD regional de São Caetano do Sul - SP, 1999.
7. UCHIDA, E. Monografia apresentada à EAP-APCD regional de São Caetano do Sul - SP, 1999
8. VIAZIS, A.D. A cephalometric analysis based on natural head position. J. Clin. Orthod., v. 25, p. 172-81, 1991.