NAS SOBREPOSIÇÕES SERIADAS, QUAL PREFERIR:
SN ou FRANKFURT
outros
pontos e linhas ?
Como referência para avaliações seriadas, autores da modernidade, como Ricketts, MacNamara e Bimler, optaram pelo Franckfurt, Basio-Nasio, Plano facial de Downs, Plano estético de Ricketts, entre muitos outros. Autores antigos como Raidel, Steiner, Brodie, Bjork, Daws e outros recomendam SN e linha mandibular ou biespinhal para melhor observar os movimentos dentários.
A preferência pode-se dizer que é questão de
faixa etária.... de fidelidade ... de fé.... de localização geográfica...
Seguem
algumas das razões que podem ser consideradas.
1 – Os pontos S e N, por serem sagitais e únicos, são facilmente identificados nas telerradiografias e nas tomadas seriadas. Não sofrem alterações expressivas nas diferentes posições da cabeça no cefalostato.
2 - A base
de crânio anterior, onde não está incluído o Nasion, é umaa região mais das
mais estávelis
do crânio, com menor crescimento depois da infância. Ainda que se reconheça
variações no crescimento, tanto na parte anterior quanto posterior da base de
crânio. Porém,
em todo o crânio é a região em que o
crescimento é menor, desde a infância até a idade adulta.
3
– O Nasion tem crescimento constante até a maturidade óssea, sendo que o maior
surto de crescimento ocorre na puberdade, com o aumento do seio frontal. É um
crescimento conhecido e facilmente identificado. E há possibilidade de se recorrer ao PONTO X de Beatty ( * ).
Considera-se que o Nasion “atrapalha” as avaliações seriadas, mas não invalida.
4 - O Plano de Frankfurt, antes denominado de Plano de
Von Ihering , foi escolhido como método para a observação
dos crânios no XIII Congresso Geral da Sociedade de Antropologia Alemã
(realizado em Frankfurt-am-Maine em 1882).
Aceito, universalmente, como plano de orientação do crânio. Desde então toda a observação e descrição do
crânio passaram a ser feitas na suposição de que o crânio está com este plano
na horizontal. O plano tomou o nome de Plano horizontal de Frankfurt, ou
simplesmente Plano de Frankfurt.
Entretanto, o indiscutível valor
deste plano na Antropologia, não tem a mesma validade na Cefalometria
Radiográfica, onde é atualmente denominado
Órbito-Meático.
Ocorre que Po e OrP,
como pontos laterais, apresentam-se duplos nas telerradiografias e não
coincidentes. Além da magnitude do lado
direito, mais longe da placa, e da sempre presente assimetria da face, há
as variações de posição da cabeça no
cefalostato. Nem sempre é possível, com
segurança, identificar qual é o lado esquerdo da face. Quando os acidentes anatômicos laterais aparecem
coincidentes, na telerradiografia, é
porque a magnitude, a assimetria e as distorções por posicionamento
compensaram-se e revelam uma situação enganadora.
5 – Em geral, não é significativo, o erro ocasionado
por diferentes posições da cabeça no Cefalostato. Porém, somado com outros
erros pode induzir a conclusões comprometedoras.
6 - Na tentativa de ter mais segurança na marcação do Po,
utilizou-se o Pório Metálico, e,
também, a projeção da parte mais alta do côndilo mandibular, sem que nenhum
destes métodos tenha perseverado como representativo de fidelidade.
O S-N é a referência mais utilizada, universalmente, na ortodontia apesar de existirem outras opções. Nos próximos números deste jornal abordaremos a utilização de outros pontos e linhas que levam em consideração o crescimento radial bipolar da face, gerando áreas de sobreposição que podem ser utilizadas para uma avaliação setorizada do crescimento, estas áreas bilaterais hoje empregadas em algumas análises, serão ainda mais úteis quando da popularização da tomografia de hemi-face, quando então poderemos avaliar cada lado da face a partir de seu centro de crescimento radial bipolar sem a dificuldade gerada pelas duplicações de estruturas.
Prof.
Dr. Cléber Bidegain Pereira
Prof. Dr. Humberto Carneiro Neto
( * ) Trabalho de Beatty
A
modified technique for evaluating apical base relationships.
http://www.cleber.com.br/pontox.html