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GOLDREICH, H.N.
MARTINS, J.C.R MARTINS, L.P. SAKIMA.P.R. |
Introdução:
A telerradiografia
cefalométrica tem sido utilizada como meio de análise de dados antropométricos
usada desde a década de 30. Em Ortodontia, foi empregada no estudo do
padrão de crescimento facial do ser humano, no diagnóstico e plano de tratamento
das deformidades dentofaciais, no estudo dos efeitos imediatos e a longo
prazo destes tratamentos e, mais recentemente, tem sido fundamental na evolução
da cirurgia ortognática. São inúmeros os benefícios que este método de estudo
trouxe à investigação científica e ao desenvolvimento da Ortodontia como
atividade profissional. Por outro lado e, infelizmente, muitos ortodontistas
utilizam essa radiografia como o único instrumento de diagnóstico, e essa
supervalorização pode levar a resultados inesperados e até ao insucesso de um
tratamento ortodôntico. Em passado recente, decisões de extrações de dentes
permanentes eram tomadas basicamente e, às vezes, exclusivamente, a partir de
dados numéricos advindos dos traçados cefalométricos.
O uso da
cefalometria no estudo do crescimento teve grande impacto em outras
especialidades, além da Ortodontia. Em cirurgia buco-maxilo-facial e em cirurgia
plástica, freqüentemente é necessário fazer o acompanhamento radiográfico de
pacientes durante um determinado tratamento ou período de tempo para se saber o
momento correto dos procedimentos cirúrgicos. Por exemplo:
acreditava-se que os pacientes fissurados deveriam ser tratados o mais cedo
possível e, os estudos mais recentes de crescimento facial destes indivíduos
demonstraram que as áreas de defeitos crescem na mesma proporção que áreas não
afetadas de morfologia originalmente normal, não se tornando progressivamente
piores como se acreditava no passado. Intervenção cirúrgica no momento
inadequado pode inibir o crescimento de determinada dimensão, condicionando uma
situação mais desproporcional até que o crescimento cesse.
Apesar da
cefalometria ser uma ferramenta muito importante, ela também tem suas inúmeras
limitações. Uma delas está condicionada a alta possibilidade de erros durante os
procedimentos técnicos. O objetivo desse trabalho é mostrar alguns dos erros
mais comuns com o uso de telerradiografia cefalométrica e algumas precauções
para minimizá-los.
FATORES RELACIONADOS COM O ERRO EM CEFALOMETRIA
Para se utilizar adequadamente uma telerradiografia cefalométrica, há basicamente cinco ítens que devem ser observados. Cada ítem está associado à certas possibilidades de erros, que podem tornar dados de uma investigação que leva a conclusões erradas. Na área clínica estes dados contaminados com erros, podem levar ao diagnóstico e/ou plano de tratamento limitados e até inadequados ao paciente. O erro total de uma mensuração é o efeito combinado devido à possíveis erros de: projeção do objeto no filme; mudanças dimensionais do filme; identificação de pontos cefalométricos; de leitura desses pontos e; técnicas incorretas de mensuração.
Erros de projeção
Influência do posicionamento da cabeça do
paciente.
Inicialmente, a projeção do objeto no filme é influenciado pela
posição da cabeça do paciente no cefalostato, pela distância foco-objeto, e pela
distância filme-objeto. A cabeça do paciente deve ser posicionada no
cefalostato de forma adequada e reprodutível, o que é fundamental.
Steiner34 enfatizou que o ortodontista deve saber que a rotação da
cabeça do paciente no cefalostato leva a mudanças nas posições das estruturas
que estão fora do plano sagital mediano. Evidentemente, que ele se referia a
importância de se seguir determinados cuidados já padonizados, no posicionamento
do paciente no cefalostato. Existe uma crescente possibilidade de distorção de
imagem, na medida em que se diminui os ajustes do aparelho à cabeça do paciente.
Gron15 investigou a variação geométrica do plano sagital mediano com relação
ao feixe central de raios-X. Ele achou que uma variação de 5 graus, em
qualquer direção, leva a uma alteração de 0,8% nas medidas lineares mas não
mudam a magnitude dos ângulos que são perpendiculares ao feixe central.
Ele concluiu que a radiografia cefalométrica é uma ferramenta adequada para o
estudo das mudanças lineares e angulares que ocorrem durante o crescimento, e
que essas mudanças não são influenciadas pelos desvios geralmente encontrados no
posicionamento da cabeça do paciente no cefalostato.
Outros estudos18,23,30
confirmaram que o posicionamento do paciente não é uma grande fonte de erro,
desde que um devido cuidado seja tomado para posicionar o paciente corretamente.
Ahlqvist e colaboradores1 acharam resultados similares, mas perceberam uma
distorção dos ângulos cefalométricos de aproximadamente 0,6 graus com uma
rotação da cabeça de 10 graus. Estes autores também demonstraram que uma
rotação da cabeça de 5 graus não é grande o suficiente para que e os distorções
sejam clinicamente significantes.
Os ajustes da cabeça do paciente no
cefalostato deixou de ser a grande preocupação dos clínicos, quando eles
admitiram que a posição postural natural da cabeça poderia ser vantajosa
na avaliação do perfil facial. A posição padronizada passou a não ser desejável
na telerradiografia lateral da cabeça porque não registraria fielmente a postura
crânio-cervical atípica a qual está ligada, muitas vezes, à etiologia da
deformidade facial (problemas respiratórios) e, porque, uma posição forçada no
cefalostato poderia mascarar, principalmente, as relações entre os tecidos moles
do perfil tegumentar.
Mesmo que rotações da cabeça do paciente não sejam
fontes principais de erro, há problemas inerentes quando não se usa a posição
natural da cabeça. A posição natural da cabeça é definida como a posição
fisiológica obtida por um indivíduo relaxado, olhando para um ponto de
referência a sua frente como, por exemplo, seus próprios olhos num espelho
fixado na parede. Uma linha vertical verdadeira de referência (LRV)
é aquela obtida a partir de um fio metálico de prumo, cuja imagem é registrada
no filme radiográfico. A verdadeira linha de referência horizontal (HV) é
aquela perpendicular à verdadeira linha vertical de referência. Com estas
determinações, as estruturas da cabeça são descritas em relação às verdadeiras
linhas de referência construídas. Achou-se que a posição natural da cabeça
em relação à vertical verdadeira é um dado estético importante do perfil
facial do paciente.31 Angulações convencionais de planos de referência em
relação à LRV variam muito, tanto na mesma população como entre diferentes
populações. A variância desses planos ficam na faixa de 25 a 36 graus, com
desvios-padrão de 5 a 6 graus.11 Quando são usadas estruturas internas
para definir planos de referência (linha S-N ou plano horizontal de Frankfurt)
há grande variabilidade entre os pacientes. Por exemplo, se a linha S-N
não representa aquilo que dela se esperava em termos de posição espacial,
então todas as medidas relacionadas à linha S-N serão inadequadamente
consideradas e, assim, erradas para um plano de tratamento adequado. Os
planos de referência intracranianos convencionais se mostraram remodelar, de
forma variada, não só entre os diferentes indivíduos, assim como no próprio
indivíduo durante o crescimento.110,22,28 Sabendo-se disso, deve ser
admitido logicamente que uma análise cefalométrica convencional pode mudar com o
tempo, dependendo da idade em que a telerradiografia foi tomada. Colocar o
paciente na posição natural da cabeça e usar a HV para se descrever as
diferentes estruturas crâniofaciais entre si, pode aliviar algumas das
preocupações e dar ao clínico uma visão mais representativa do perfil estético
natural do paciente. Este perfil é mais representativo porque é aquele exibido,
quando o paciente conversa, caminha ou olha para os outros. Cooke e
colaboradores11 acreditam que a variabilidade da horizontal verdadeira (HV) como
um plano de referência cefalométrica com o paciente em posição natural da cabeça
representa, no mínimo, uma melhora em confiabilidade como relação à
variabilidade dos planos intra-cranianos convencionais.
Alguns
autores13,25,31 já atestaram que a posição natural da cabeça é altamente
reprodutível para o mesmo operador, assim como entre operadores. O erro de
método foi em média de 2 graus.
Outro problema com o uso inadequado de
estruturas internas do crânio como referência é que certos pontos podem
influenciar a geometria dos ângulos, levando a números não representativos dos
verdadeiros desvios. Um exemplo desse tipo de erro de representação é o
efeito que a posição do ponto Násio (N) tem no ângulo ANB. O ângulo ANB é
freqüentemente usado para se descrever as posições da maxila e da mandíbula
entre si. Quando o N está posicionado mais anteriormente que o normal, um
paciente Classe II esquelético pode ter seu ângulo ANB com valor de pacientes
Classe I. Da mesma forma, quando o Násio está posicionado mais
posteriormente que o normal, um paciente Classe I pode ter ANB de paciente
Classe II ou, mesmo um paciente Classe III pode ter o ANB de paciente Classe
I. O ângulo ANB pode mudar também com a variação vertical do ponto
N. Quanto mais o ponto N fica afastado, menor será o ângulo ANB.32
Quando se analisa ângulos tais como o ANB, é importante entender bem o sentido
geométrico e estudar cuidadosamente os efeitos que pode exercer a variabilidade
individual sobre as medidas padrão. O ângulo ANB é uma medida com baixo nível de
erro de reprodutibilidade mas alto nível de erro de representatividade.
Erros de projeção:
Outra fonte de erro de projeção é que o filme
fica a 1,52 m da fonte de radiação, o que causa distorção devido ao aumento da
imagem. O erro de magnificação, ou de projeção, é um problema inerente em
cefalometria pela natureza como os raios- X saem da fonte, em linha reta e
divergindo a partir de uma pequena área. Quanto mais perto o objeto ficar
da fonte e quanto mais longe ficar do filme, maior será o aumento por
projeção. Portanto, para se diminuir a distorção por aumento de projeção
deve-se aumentar a distância filme-objeto. Isto é feito de forma
consciente em cefalometria. Como a concentração dos raios X diminuem na
proporção do inverso do quadrado da distância foco-objeto, se torna impraticável
aumentar essa distância além de 1,52 m devido à pouca diminuição da distorção
com o grande acréscimo em radiação necessária para se obter uma radiografia com
boa qualidade.5 Muitos métodos têm sido sugeridos para controlar o erro de
magnificação. Um método indica o uso de um simples fator de proporção,
pois a distância foco-objeto (plano sagital mediano) é conhecida e a distância
filme-objeto pode ser medida na hora da exposição.9 Durante a época do
cefalostato de Broadbent-Bolton, uma escala de alumínio com chumbo era sempre
posicionada no plano sagital mediano do paciente de forma que aparecesse na
telerradiografia. Logicamente, a escala aumentaria na mesma proporção que
as estruturas presentes na linha média. Essa escala na radiografia pode
ser usada para se verificar as medidas com compasso. Se um grande número
de medidas devem ser feitas em um número considerável de pacientes é econômico
se fazer uma série de escalas. Isto é feito através das exposição de
várias escalas, a primeira com uma mínima distância do filme ao plano sagital
mediano , e as outras com uma distância de 1cm entre si até chegar a 14 cm,
provável maior distância nos diferentes pacientes. Estruturas com chumbo
são colocadas na escala correspondente à distância até o filme em cada
exposição.
Estruturas bilaterais:
Mesmo que estes métodos corrijam os
efeitos de magnificação das estruturas situadas no plano sagital mediano, ainda
há os problemas com as estruturas bilaterais. É óbvio que cabeças maiores
terão magnificações diferentes para estruturas próximas ao filme que para
aquelas mais afastadas e as diferenças serão de maior magnitude que em pequenas
cabeças. Os fatores de magnificação para radiografias póstero-anteriores
são mais complicados devido ao fato de que os pontos cefalométricos usados para
interpretação são localizados em planos coronais distintos e, portanto, com
distâncias variáveis do foco e do filme. 5 Além dos problemas com
magnificação há também os problemas com distorção das imagens.
Erros de distorção
Erros de distorção pode ser causada por
magnificação e outras variáveis. Diferenças em tamanho entre estruturas
mais próximas ao foco e estruturas mais próximas ao filme causam
distorção. Portanto, ocorre distorção entre estruturas na mesma
exposição. Por exemplo, estruturas bilaterais separadas por uma distância
de 120 mm em um radiografia lateral (tal como o ramo ascendente da mandíbula)
têm fatores de magnificação de até 7% ou 7,4 mm para cada 100 mm medidos.5
Qualquer rotação da cabeça no cefalostato produz distorções extremamente
complicadas, difíceis de prever e compensar.
Problemas também aparecem
devido à projeção de linhas diagonais como linhas no filme que aparecem
diminuídas, isto é, distâncias em três dimensões, que são projetadas no plano do
filme. Medidas precisas de tais distâncias, como, por exemplo, côndilo
mandibular ao mento (Co-Gn), podem ser obtidas tendo as vistas frontal e lateral
combinadas para fornecer uma “fatia triangular” consistindo de um
triângulo retângulo utilizando o plano sagital mediano como um dos lados, a
distância do ponto cefalométrico, tomado em norma lateral, até o plano sagital
mediano como outro lado, e aplicando-se o Teorema de Pitágoras (acha-se a
hipotenusa como a distância que se deseja calcular).5
Estes métodos de
quantificar a magnificação ou distorção são geralmente usados para estudos que
requerem valores quantitativos estritos. Este não é o caso da Ortodontia
clínica e em outros estudos, pois o tamanho absoluto não é tão importante.
O maior propósito da telerradiografia cefalométrica para nós é a
comparação. É o tamanho relativo entre cada parte do todo que nos
interessa.
Erros de localização dos pontos cefalométricos:
Antes de se tentar
comparar os tamanhos relativos de radiografias ou apenas interpretar uma única
radiografia, é imperativo poder localizar os pontos cefalométricos ósseos com
precisão e confiabilidade. Houston19 enfatizou que os maiores erros em
cefalometria provém, na grande maioria, da identificação inadequada de pontos
cefalométricos. Staburn e Danielson33 acharam que cada ponto cefalométrico
tem um grau diferente de reprodutibilidade e, ocasionalmente, um simples
registro incorreto pode ocorrer obviamente, levando ao erro que influi na
interpretação do diagnóstico clínico. Por exemplo: eles acharam que
o ápice do incisivo inferior não tem um alto grau de reprodutibilidade e a sua
localização era incerta em 75% dos casos estudados. Erros aleatórios ou casuais
foram muito freqüentes na localização do ápice dos incisivos, na recente
investigação de Martins21. Este tipo de variabilidade pode fazer muita diferença
quando se determina a inclinação axial do incisivo levado em consideração
quando se faz o diagnóstico ou plano de tratamento. Obviamente, a
qualidade do filme, variação de anatomia nos indivíduos, experiência do operador
e diferenças entre operadores são todos fatores que podem afetar a
confiabilidade da identificação do ponto cefalométrico. Grandes
discordâncias ocorrem entre observadores quanto à determinação de alguns pontos
cefalométricos, mesmo quando há treinamento prévio.20,33 Um maior cuidado
no traçado e mensurações é importante mas a maior experiência de um determinado
traçador não assegura a reprodutibilidade das medidas 21.
Midtgard e
colaboradores23 acharam que com a colocação de pontos cefalométricos
diferentes em duas radiografias distintas, os observadores ficaram tão incertos
que as diferenças médias de todos os pontos medidos, diferiram
significativamente de zero. O mesmo acontece quando se estimou os pontos
cefalométricos de um único filme em épocas diferentes, com um intervalo de um
mês. Eles atribuíram essas diferenças em mensurações como dependentes na
incerteza do observador em identificar o ponto cefalométrico e não no erro de
tomada radiográfica, o qual pode ocorrer quando se faz duas radiografias
consecutivas. Eles concluíram que a reprodutibilidade dos pontos
cefalométricos examinados em seus estudos são aceitáveis para análises de rotina
de telerradiografias cefalométricas laterais, quando usadas como meio de
diagnóstico. Apesar de eles acreditarem que é duvidoso a
reprodutibilidade, a consideraram satisfatória quando esses pontos
cefalométricos são usados como base para predição de crescimento e tratamento em
análises cefalométricas. Outros estudos também acharam que a variabilidade
inter-observadores é um pouco maior que a variabilidade
intra-observador.8,20,.23, 26,27 As inúmeras definições existentes para a
maioria dos pontos cefalométricos constituem outro problema com relação ao
controle dos erros. Se um indivíduo pedisse a cinco clínicos diferentes
para definir um ponto cefalométrico específico, ele ouviria muito provavelmente
cinco respostas diferentes. Assimetrias também podem causar problema de
identificação de pontos cefalométricos pois a magnificação é diferente para
posição da cabeça e a assimetria produz duas imagens no filme. O operador
deve decidir se traça o lado esquerdo, o lado direito ou uma média dos
dois. Este problema freqüentemente ocorre com a borda inferior da
mandíbula e a localização do Gônio. Problemas dessa natureza podem ser
evitados em um mesmo observador se as definições forem consistentes entre
traçadores. Os maiores problemas aparecem quando traçados feitos por
diferentes indivíduos são comparados. A dificuldade de localização de
certos pontos cefalométricos contribuem para o erro total. No entanto,
esses pontos cefalométricos são usados como pontos de registro para mensurações
ou para sobreposições em uma série de cefalogramas longitudinais.
Algumas tabelas de estudos diferentes proverão valores numéricos para
a variação na identificação de pontos cefalométricos diferentes. Achou-se
que a distribuição dos erros para a maioria dos pontos cefalométricos não é
aleatório e que cada ponto cefalométrico tem seu próprio envelope de erro, que é
característico e geralmente não é circunferencial.3 Portanto, o erro de
cada ponto cefalométrico é dado nas coordenadas X e Y quando disponível; caso
contrário, o erro combinado será fornecido. Um resumo dos dados será dado
após cada tabela.
Esses erros representam os erros combinados das
coordenadas X e Y para as diferenças maiores que 1 mm. Esses pontos foram
localizados pelo mesmo observador em duas ocasiões, com um intervalo de um mês.
| Ponto | Diferença média em mm. | Erro médio |
| Orbitário (Or) | 2,44 | 0,46 |
| Pogônio (Pg) | 1,10 | 0,19 |
| Supramentoniano (B) | 1,17 | 0,07 |
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| Gônio | 1,08 (1,18) | 0,78 (0,27) | 0,6 (0,66) | 1,18 (1,01) |
| ENP | -0,88 (0,94) | 0,55 (0,52) | ||
| Bolton | -12,28 (5,81) | -2,68 (3,49) | 5,65 (5,53) | |
| Mentoniano | -0,75 (0,60) | |||
| R. O. | 3,8 (2,72) | -4,63 (3,13) | 5,15 (3,80) | |
| Násio | -1,3 (1,79) | |||
| Orbitário 1,25 (1,61) | 1,25 (1,61) | |||
| Sela | 0,65 (0,65) |
| Ponto |
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| Násio | 0,60 | 1,33 |
| Sela | 0,46 | 0,46 |
| Ponto A | 0,55 | 1,20 |
| Ponto B | 0,64 | 1,86 |
| Pogônio | 0,59 | 1,32 |
| Incisal do ICs | 0,34 | 0,36 |
| Incisal do ICi | 0.45 | 0,44 |
| Ápice do ICi | 0,89 | 1,31 |
| Ápice do ICi | 0,89 | 1,31 |
| Mentoniano | 1,25 | 0,60 |
| Orbitário 1,03 1,61 | 1,03 | 1,61 |
| Gônio (esquerdo) | 3,33 | 3,34 |
| Gônio (direito) 3,71 3,53 | 3,71 | 3,53 |
Erros no registro dos pontos cefalométricos:
Após a identificação
dos pontos cefalométricos há vários métodos distintos para se fazer o registro
dos pontos para mensuração e outros propósitos. A abordagem convencional
tem sido primeiro traçar as estruturas de interesse no acetato, localizar os
pontos cefalométricos, traçar as linhas conectando os pontos de interesse e
depois, medir as distâncias e ângulos apropriadamente. Essa forma
proporciona diversas oportunidades de se cometer erro. O acetato pode ser
opaco de forma que a localização de pontos em estruturas muito delicadas fique
duvidoso. A espessura da ponta do lápis pode influenciar quando há
necessidade de medidas precisas nestas estruturas finas.Espessura de grafite de
0,5 mm pode comprometer valores de 0,25 a 0,5 mm. Erro de paralaxe pode
ser outra importante fonte de erro se o observador não tiver cuidado para se
posicionar de forma que a sua visão seja sempre constante e privilegiada sobre o
negatoscópio. Não há como evitar esta variável, mas os cuidados podem minimizar
a ocorrência e a sua intensidade.
O desenvolvimento de equipamentos
para digitação de pontos tem simplificado a mensuração e permitem que pontos
cefalométricos anatômicos sejam digitados diretamente do filme, sem a
necessidade de um traçado intermediário. Esse método de digitação direta
pode consumir menos tempo e a eliminação de um passo no processo pode contribuir
para minimizar as possibilidades de erro. Estudos foram feitos para se
verificar a confiabilidade desses novos procedimentos. Infelizmente, estes
métodos têm seus problemas inerentes. Houston18 verificou que os
traçados convencionais foram levemente mais confiáveis que a digitação direta e,
ainda que, digitações com um razoável intervalo de tempo tende a produzir erros
levemente maiores que aqueles observados em digitações imediatamente
repetidas. Ele explicou que uma possível razão foi de que o traçado de
certas estruturas, como uma raíz de incisivo, ajuda na definição do ápice.
Outra razão é que o desenho do “cursor” (apontador) usado para a digitação
tornou escuras estruturas periféricas ao ponto cefalométrico e, às vezes,
tornou-se difícil ver a “mira” contra as partes mais escuras da
radiografia. Estes problemas não são exclusivos da digitação dos
traçados. O autor observou que se o traçado for de pouca qualidade e com
lápis macio, os erros podem também ser maiores.
Trpkova et al 199735,
realizaram um estudo estatístico (Meta análise) comparando os dados de
diferentes estudos sobre o erro de identificação de 15 pontos cefalométricos. Os
resultados desse estudo permitiram recomendar que 0,59 mm de erro total na
coordenada x e 0,59 mm na coordenada y são aceitáveis níveis de exatidão nos
traçados. Os pontos B, A, Ptm, S e Go na coordenada x e Ptm, A e S na
coordenada y, apresentaram níveis insignificantes de erro médio e pequeno valor
de erro total e, por isso, se constituem em pontos com suficiente
confiabilidade para análises cefalométricas laterais.
Erros de mensuração cefalométrica:
Após o registro dos pontos
cefalométricos certas medidas de linhas e ângulos são utilizados para se
analisar o cefalograma. A confiabilidade desses pontos cefalométricos
afetam diretamente essas medidas. Baumrind e Frantz2 ,3 consideraram
que os erros de mensuração se dividem em 3 tipos: o primeiro é o erro de
projeção e se relaciona à medida verdadeira; o segundo e o terceiro são erros em
localização de pontos cefalométricos e erros mecânicos durante o traçado
das linhas entre os pontos e/ou na mensuração com régua (ou escala) e
transferidor. Este último erro está bastante reduzido com a utilização do
computador eletrônico que faz as mensurações diretamente dos pontos digitados.
Sem o conhecimento do posicionamento tridimensional dos pontos
cefalométricos, não é possível ter controle completo do erro de projeção.
Pelo uso de medidas angulares no lugar das medidas lineares podemos tentar
reduzir o impacto do erro de projeção. Isto pode se tornar útil pois
medidas angulares permanecem constantes independente do fator de
magnificação. As medidas lineares são, freqüentemente, de estruturas da
linha média que, em teoria, têm um fator de aumento uniforme e, portanto, todos
os pontos desse plano têm um fator de aumento similar e padronizado, como
discutido antes.
Confiabilidade na identificação dos pontos
cefalométricos já foi discutido mas Baumrind e Frantz2,3 determinando
impacto dos erros de identificação em valores lineares e angulares. Eles
observaram que os erros de magnitude diferem muito de medida para medida e,
portanto, não é correto tratar todas as medidas lineares e angulares como se
fossem de igual confiabilidade. Quanto menor o segmento de
reta ou o ângulo, maior é o erro percentual introduzido pelo erro de
mensuração. A direção em que o segmento de reta entre dois pontos
cefalométricos intersecciona (corta) o envelope de erro de cada ponto
cefalométrico é um fator de variabilidade. Envelope é o termo apropriado para o
perímetro do gráfico de dispersão de erros. Se a direção da linha é tal
que intersecciona o envelope de erro na borda, o erro médio introduzido será
obviamente menor que se a linha cortar uma área mais larga do envelope.
Duplicação de traçados:
Outros estudos avaliaram a confiabilidade
das medidas cefalométricas através da duplicação de traçados. Cooke e
colaboradores12 e Sandler20 compararam mensurações feitas em radiografias
refeitas e mensurações repetidas de uma mesma radiografia. Observaram que
as radiografias repetidas fornecem mensurações bem menos confiáveis que as
mensurações repetidas em uma mesma radiografia. Também observaram que o
Gônio, o plano horizontal de Frankfurt, o plano oclusal funcional e o longo eixo
de incisivo mostraram os piores índices de reprodutibilidade. Essas quatro
entidades são comumente utilizadas em diferentes análises. Devido ao baixo
índice de reprodutibilidade não se pode ter certeza que tais medidas sejam
corretas. Portanto, deve-se abordar medidas que usam tais estruturas com
muito cuidado. Gravely e Benzies14 mediram o efeito de tais erros nas
medidas até que se possa fazer julgamentos válidos. Eles calcularam os
limites de confiança para as medidas angulares feitas por 3 traçadores para os
quais as diferenças não são significativas; portanto, para simplificar, os
limites de confiança terão valores médios. Após as tabelas, exemplos serão
dados para demonstrar com clareza a importância dessa informação.
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Mensurações num mesmo traçado |
Diferenças em
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| Grupo c/"overjet” | lábios fechados | lábios separados | lábios fechados |
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| Grupo Normal | ||||
| Násio | 0,19 | 0,34 | 0,85 | 1,42 |
| Pronasal | 0,15 | 0,19 | 0,20 | 0,16 |
| Ponto S de Steiner | 0,47 | 0,40 | 0,18 | 0,14 |
| Ponto A em t.mole | 0,41 | 0,24 | 0,38 | 0,47 |
| Labrale superior | 0,78 | 0,75 | 0,50 | 0,35 |
| Labrale inferior | 0,90 | 0,68 | 0,96 | 1,96 |
| Ponto B em t.mole | 0,38 | 0,47 | 1,02 | 1,68 |
| Pogônio mole | 0,35 | 0,50 | 1,04 | 5,15 |
Sobreposições:
Outro uso do cefalograma além das mensurações de
ângulos e linhas é a possibilidade de se comparar tamanhos relativos e posições
de estruturas de interesse. Sobreposições são usadas para estudar essas
relações e para investigar longitudinalmente o desenvolvimento
craniofacial. Para se comparar uma série de crânios, é necessário decidir
certos pontos e planos básicos para se sobrepor. Estes pontos de
referência deveriam ser sujeitos à menor variação possível entre indivíduos e no
mesmo indivíduo com o decorrer do tempo. É imperativo poder localizar onde
as mudanças ocorreram ou apenas identificar onde ela está. Foram achadas
certas estruturas e métodos que são confiáveis e podem ser usados para
sobreposições.7,10,22 Infelizmente as sobreposições podem ser
influenciadas por vários fatores, inclusive e principalmente qualidade da
radiografia, cuidado técnico, protocolo e pontos cefalométricos usados.17
Além de todos os problemas com projeção, identificação de pontos
cefalométricos, sobreposição e mensurações, há uma outra área em que a
cefalometria pode apresentar muitos erros. A maioria dos cefalogramas
feitos para Ortodontia ou Cirurgia Ortognática são de vista sagital. Um
paciente nunca vê diretamente a partir do seu próprio perfil, e as pessoas em
geral raramente falam sobre perfis, porém o diagnóstico clínico, freqüentemente,
se baseia na fotografia de perfil do paciente, e as vistas frontal e transversal
são ignoradas. É importante discutir os problemas sagitais, mas é
imperativo se analisar o paciente frontal e transversalmente, também. Uma
razão por se ter essa abordagem pode ser pelo fato de que estruturas ficam
superpostas e difíceis de identificar, em radiografias póstero-anteriores.
Parece que o cefalograma lateral é uma ferramenta de diagnóstico rotineira, e a
vista frontal ou qualquer outra vista só é usada quando uma assimetria grosseira
é notada.
Reduzindo a chance de grandes erros:
Apesar das inúmeras
fontes de erro inerentes em cefalometria, o uso desta ferramenta no diagnóstico
e plano de tratamento é muito difundido, e muitos clínicos e pesquisadores
confiam nas suas informações para tratar pacientes e conduzir seus projetos de
pesquisa. O fluxograma, a seguir, ajuda a reduzir tais erros e a tornar o
uso da cefalometria mais confiável.
Orientações quanto às tomadas radiográficas:
Tomada
radiográfica
1. O objeto, o cefalostato e o filme devem estar
fixos.
2. As olivas metálicas devem estar alinhadas.
3.
Coloque uma escala de metal de comprimento conhecido no plano sagital mediano
para fornecer evidência permanente da magnificação de cada radiografia.
4. O filme deve estar bem assentado no cassete.
5. Escolha
uma posição da cabeça estável e reprodutível, e não mude.
Orientações quanto a performance do(s) traçador (es)
|
|
|
| 1.Trace as estruturas mais confiáveis ( plano sagital mediano) 2. Use referências estáveis para sobreposi- ções. |
1. Os traçadores devem ter experiência e serem calibrados.
2. Repita traçados e faça média das medidas. 3. Quando se repete um traçado quatro vezes, os erros aleatórios são minorados pela metade.35 4. Aleatorize a ordem em que as radiografias são traçadas e medidas. 5. Trace todos os registros de um paciente na mesma ocasião. |
Orientação quanto à identificação dos pontos cefalométricos:
Identificação dos pontos cefalométricos
1. Faça os
registros em iluminação adequada (não em ambiente muito iluminado).
2.
Use acetato de boa qualidade.
3. Use lápis de ponta fina e de boa
qualidade.
CONCLUSÕES
Em resumo, a cefalometria pode ser uma ferramenta poderosa para o
Ortodontista ou Cirurgião dedicado à Ortognática quando usada de forma adequada
e com cuidado. Como visto, os passos para a obtenção de dados de uma
radiografia estão associados com certa quantidade de erro. A soma desses
erros é expresso no traçado final, na mensuração usada para se fazer o
diagnóstico, o plano de tratamento ou comparação das radiografias pré e
pós-tratamento. Alguns dos erros são inerentes ao equipamento e alguns são
cometidos pelo operador, traçador ou clínico interpretando a radiografia.
A cefalometria deve ser usada como um auxílio no diagnóstico ou na comparação,
mas não deve ser utilizada como uma forma precisa de se obter valores
absolutos, como por exemplo, a quantidade de crescimento ou posição da
maxila. Um cefalograma fornece, também, informação básica importante e
permite-nos obter um ponto inicial para avaliar o progresso do tratamento.
Ainda é necessário fazer um adendo: a observação clínica de um clínico
competente e experiente é uma ferramenta muito poderosa e deve ser mais
utilizada para tornar mais confiável qualquer observação cefalométrica.
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