TRANSCRITO DE CIRURGIA ORTOGNÁTICA E
ORTODONTICA
PROFs. SOUZA, L.C.N., SILVEIRA, M.E., CAPPELLETTE, M., GARDUCCI,
M. e PAIVA LINO, A.
DIAGNÓSTICO, PLANEJAMENTO E TRATAMENTO DAS DEFORMIDADES
DENTOFACIAIS
Ronaldo Rodrigues de Freitas
Maria do
Carmo Guerra
Onescy Silveira Dias
A deformidade dentofacial interfere nos aspectos funcional, estético,
psicológico, social e profissional dos pacientes. Tornando-os, as vezes, de
difícil diagnostico, pois para obte-lo, devemos lançar mão da história médica e
odontológica (dental) detalhada, exame clínico extra e intra-oral, exame
radiográfico, e estudos fotográficos, cefalométricos e dos modelos.
Exame clínico
O exame clínico do paciente é de suma importância para um bom
diagnóstico; inclui avaliação da face como um todo, das estruturas intra-orais
incluindo oclusão, análise funcional e dinâmica dos lábios e da articulação
temporomandibular (ATM).
O paciente deve permanecer em pé, relaxado, com os membros superiores ao
longo do corpo e olhando para a frente; dessa maneira conseguimos evitar que
este oculte ou dissimule qualquer deformidade.
Com o paciente nesta posição e de forma estática verificaremos se existe
harmonia entre os terços faciais; simetria entre os lados direito e esquerdo;
distopias dos globos oculares; assimetria das regiões malares; se a conformação
e o tamanho do nariz encontra-se dentro da harmonia facial; se o sulco
nasogeniano é bem marcado ou apagado; a relação labiodental, considerando-se que
a relação normal entre o lábio superior em repouso e a borda dos incisivos
centrais superiores é de 0 a 3 mm, quando esse valor esta acima de 3 mm,
considera-se que o paciente tem exposição exagerada dos incisivos; relação
interlabial, considerando que o normal varia de 0 a 3 mm, sendo que valores
superiores a 3 mm e indicativo de incompetência labial; avaliação do angulo
mentolabial e da dimensão do mento, e também do angulo
mentocervical.
Com o paciente sorrindo, avaliamos a insuficiência ou o excesso de
exposição dos dentes anteriores superiores e da gengiva, o que caracteriza
deformidade vertical da maxila.
É importante uma avaliação dinâmica da ATM para descartarmos qualquer
disfunção, e a presença de qualquer alteração deve ser anotada e o paciente
informado, procurando esclarecer a ele que a cirurgia pode favorecer a correção
desta alteração, mas não necessariamente.
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| Fig. 1 - 1 Avaliação da face em terços |
Fig. 1 - 2 Avaliação da
simetriafacial |
São observadas e anotadas as ausências dentais, as condições de saúde
periodontal, o tipo de oclusão e as mordidas cruzadas e abertas.
Pacientes que apresentam cáries dentais devem ser orientados
para tratamento, e as condições de saúde das mucosas orais também devem ser
observadas e anotadas.
Exame radiográfico
Além das radiografias cefalométricas de perfil e póstero-anterior,
rotineiramente devemos solicitar aos pacientes candidatos a cirurgia ortognática
uma radiografia panorâmica.
Através dessa radiografia descartaremos a presença de algum processo
patológico na maxila e na mandíbula, presença ou não de dentes inclusos, de
lesões periapicais e também informações gerais a respeito de alterações na
ATM.
Radiografias periapicais são solicitadas quando no planejamento
cirúrgico constam osteotomias segmentares, pois nos permitem visualizar com
major precisão a proximidade das raízes dos dentes adjacentes com o local da
osteotomia planejada.
Estudo fotográfico
O estudo fotográfico é uma extensão do exame clinico; são tiradas
fotografias frontal e de perfil da face e intra-orais com o paciente em oclusão
cêntrica, dos lados direito e esquerdo e da região anterior.
É necessária uma normalização da técnica fotográfica para que nos dê uma
noção parcial das condições pré e pós-operatórias. Uma boa fotografia da face é
tomada com a cabeça do paciente em posição natural
com o plano horizontal de Frankfort paralelo ao solo. A mandíbula deve
ficar em posição de descanso, com os lábios em repouso para ser fotografada em
sua posição real.
O estudo fotográfico além de nos
possibilitar recapitulação minuciosa de todo o exame clínico estático é
imperioso como documentação do ponto de vista legal.
Estudo cefalométrico
Existe descrito na literatura um grande número de análises
cefalométricas de perfil; não é nosso objetivo descrevermos todas; discorreremos
apenas sobre alguns dados dessas análises, dados estes que utilizamos em nossa
pratica diária para nos auxiliar no diagnóstico e no plano de tratamento das
deformidades dentofaciais.
Quanto a análise cefalométrica póstero-anterior, existe apenas uma
difundida na literatura, a de Ricketts, que no nosso ponto de vista permite
apenas visualizarmos a morfologia esquelética maxilomandibular nas as simetrias
faciais , sem contudo nos fornecer subsídios práticos no
planejamento.
A cefalometria de perfil contribui de maneira importante para o
diagnóstico e pode ser dividida em 3 partes: cefalometria esquelética, que
relaciona a maxila e a mandíbula entre si e com a base do crânio;
O cefalometria dental, que relaciona a posição dos dentes de uma arcada
com os dentes da outra arcada e com suas respectivas bases ósseas e;
cefalometria dos tecidos moles.
Cefalometria esquelética
S (Sela) - ponto médio da concavidade da sela
túrcica.
N (Nasio) - união dos ossos nasais e frontal no ponto mais
anterior.
Ponto A - representa o ponto mais profundo da concavidade
do rebordo alveolar superior no seu contorno externo, entre a espinha nasal
anterior e os incisivos centrais.
Ponto B - é o ponto mais profundo no contorno externo do processo
alveolar mandibular entre o mento ósseo e o incisivo central.
SN - é o plano sela-nasio.
SNA - é o ângulo formado pelo plano sela nasio (SN) e o plano
nasio.
Ponto A (NA)- representa a posição antero-posterior da maxila com
a base do crânio.
SNB - é o ângulo formado pelo plano sela nasio (SN) e o
plano nasio-ponto B (NB), representa a posição antero-posterior da mandíbula com
a base do crânio.