Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo X: Análise Cefalométrica de Ricketts (Noções)


 

Por Eros Petrelli 

O marco histórico da divulgação da análise de Ricketts foi a publicação de dois artigos seus em 1960, sendo o primeiro publicado no American Journal of Orthodontics, em maio, sob o título "A fundation for cephalometric communication", e o segundo publicado no The Angle Orthodontist, no mês de julho, intitulado "The influence of orthodontic treatment on facial growth and development". 

Em 1965, Ricketts iniciou uma nova série de investigações usando o computador, resultando na análise atualmente usada. 

A análise é efetuada em norma lateral a em norma frontal. Em norma lateral ela é composta de 32 fatores distribuídos em seis sessões denominadas campos as quais são apresentadas no Quadro I. 


Quadro I
Campos da análise de Ricketts em norma lateral

Campo I Dentário
Campo II Esqueletal
Campo III Dentofacial
Campo IV Estético
Campo V Craniofacial
Campo VI Estruturas internas


A análise de Ricketts em norma frontal apresenta-se em 18 fatores. 

Para a aplicação clínica diária o mais comum é o uso da análise sumária, dividida em quatro áreas com dez fatores, conforme demonstrado na Tabela I. 

Tabela 1
Análise sumária de Ricketts
Área Médias Para 9 anos + alteração
Mento no espaço Eixo 90º + '3º Nenhuma alteração com a idade
Profundidade (ângulo) facial 87º + 3º Alteração = +1º cada 3 anos
Plano mandibular 26º + 4º Alteração = -1º cada 3 anos
Altura facial inferior 47º + 4º Nenhuma alteração
Arco mandibular 26º + 4º Arco mand. fecha 1/2º cada ano
Ângulo aumenta 1/2º cada ano
Convexidade Convexidade do ponto A 2mm '2mm Alteração = -1mm cada 3 anos
Dentes Incisivo inferior para APg +1mm '2mm Nenhuma alteração com idade
Inclinação do incisivo 22º '4º Nenhuma alteração com idade
Molar superior para PTV idade + 3mm Altera 1mm por ano
Perfil Lábio inferior para plano E 2mm '2mm Menos protusivo com o crescimento

 

A análise foi elaborada em pacientes com a idade média de nove anos, dando-se a media das grandezas encontradas, como também o desvio clínico e as alterações decorrentes da idade. 

OBJETIVO VISUAL DE TRATAMENTO (VISUAL TREATMENT OBJECTIVE - VTO)

Ricketts, em 1977, basendo-se na idéia de Holdaway planejou o VTO, procedimento que permite pensar, do início até o fim de um caso, em uma sequência lógica, sobre o crescimento e os resultados de um tratamento.

O VTO (objetivo visual de tratamento) permite ao ortodontista visualizar as alterações que deverão ocorrer durante o crescimento e o tratamento. Trata-se de um plano visual para prever o crescimento normal do paciente e antecipar os resultados do tratamento, estabelecendo os objetivos individuais que se  almeja atingir para aquele paciente.  O uso deste dispositivo permite que, sobreposto ao cefalograma inicial, desenvolvam-se áreas de avaliações específicas para a orientação sistemática do tratamento ortodôntico. 


Figura 1
Traçado cefalométrico inicial do paciente, com posterior VTO 

A proposição do VTO,  de Ricketts,  é o intento de vizulalizar graficamente o que se pretende com o tratamento. Até então, essa visualização ficava apenas na mente do profissional.

No início, quando Ricketts apresentou o VTO, havia muitas previsões que eram baseadas em observações pessoais pouco comprovadas.  Com o passar dos anos, a experiência de muitos casos e comprovaçãode resultados acumulados me computador deram ao VTO uma previsão objetiva, com probalidade de acerto em 85% dos casos.

Newton de Castro, em 1968, foi um dos primeiros a divulgar a análise de Ricketts no Brasil.  A partir de 1974, a Sociedade Paranaense de Ortodontia, por meio de publicações e cursos, passou a liderar a divulgação dessa análise em nosso país.
 

NOTA: PEREIRA. C.B., em seu livro INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA NA ODONTOLOGIA - Editoa Pancastes 1996, transcrito em  http://www.cleber.com.br/vcetoo.html, apresenta uma sistemática subjetiva para composição gráfica da Visualização Computadorizada da Expectativa de Tratamento ( VCETOO ) 

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Leitura Recomendada

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