Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo IX: Análise de WITS

Karina Santos Mundstock

A análise cefalométrica de WITS (abreviatura de University of Witwatersrand, Johannesburg/África do Sul) foi descrita por Alexander Jacobson (1975, 1995), e o próprio autor a definiu como uma medida linear e não uma análise propriamente dita.

O ângulo ANB (diferença entre os ângulos SNA e SNB) é a medida cefalométrica mais usada para determinar a relação ântero-posterior da maxila e da mandíbula com a base do crânio. De acordo com Steiner, a medida do ângulo SNA indica se a face esta protraída ou retraída em relação à base do crânio. O ângulo ANB normalmente mede 2º. Ângulos maiores do que indicam uma tendência a maloclusão de classe II, já medidas menores do que ou negativas refletem uma maloclusão de classe III.

O ângulo ANB pode oferecer leituras errôneas em duas situações:

  • 1) a porção anterior das bases ósseas (maxila e mandíbula) pode estar posicionada para anterior ou posterior do nasio, afetando a medida ANB, pois a base do crânio pode ser curta ou longa, resultando em mudanças na medida de ANB, mesmo que as arcadas dentárias estejam bem-relacionadas entre si (Figura 1);
  • 2) a rotação dos ossos maxilares em relação a base do crânio também afeta a leitura do ângulo ANB. Uma rotação anti-horária da maxila e da mandíbula produz um ANB de classe III e uma rotação horária produz um ANB de classe 11 (Figura 2).


Figura 1 - Efeito da base do crânio longa (B) ou curta (C) no ângulo ANB (JACOBSON, 1995)


Figura 2 - Efeito da rotação da maxila e da mandíbula sobre o ângulo ANB, em relação à base anterior do crânio: (B) rotação anti-horária, (C) rotação horária (JACOBSON, 1995)

Para se determinar o quanto existe de desarmonia entre a maxila e a mandíbula, utiliza-se a análise de WITS, que emprega os pontos cefalométricos A, na maxila, e B, na mandíbula, e o plano oclusal funcional, que é obtido por meio da intercuspidação dos pré-molares e molares, não utilizando o entrecruzamento dos incisivos.


Figura 3 - Plano oclusal funcional, obtido com o desenho dos pré-molares e molares, passando pelos pontos de intercuspidação desses dentes (JACOBSON, 1995)

Para determinar o valor de WITS, deve-se projetar os pontos A e B perpendicularmente ao plano oclusão funcional e medir a distância entre eles, chamadas AO e BO, respectivamente. Quando AO encontra-se a frente de BO, a medida e positiva; quando BO está a frente, a medida e negativa. Os valores considerados médios para a análise de WITS são -1mm, para o sexo masculino, e 0mm, para o sexo feminino.


Figura 4 - Projeção dos pontos A e B sobre o plano oclusal funcional (RAVELLI, 2007)

Nas maloclusões classe II esqueléticas, BO localiza-se atrás de AO, e a medida e positiva; nas maloclusões classe III esqueléticas, BO localiza-se a frente de AO, e a medida é negativa. Quanto maior for o desvio de -1mm, em homens, e de 0mm, em mulheres, maior será a discrepância ântero-posterior do indivíduo.

A análise de WITS não deve ser utilizada como um critério único de diagnóstico, mas como uma medida adicional, que pode ser incluída em qualquer análise cefalométrica para complementar o diagnóstico de severidade da displasia ântero-posterior. A correta localização do plano oclusal funcional é de fundamental importância para o adequado uso da análise de WITS, mas, algumas vezes, o problema está na presença de uma assimetria, na qual os lados esquerdo e direito não coincidem ou não é possível uma superposição correta, resultando em uma leitura errada de WITS.

O plano oclusal tradicional, que vai dos molares até o meio do trespasse dos incisivos, é influenciado pela supra-erupção ou infra-erupção dos incisivos. Por essa razão, o plano oclusal funcional deve ser utilizado, porque é obtido da máxima intercuspidação de molares e pré-molares. Em casos em que se tem uma discrepância vertical entre os lados esquerdo e direito dos dentes posteriores, deve-se utilizar um plano oclusal que fique no meio das duas imagens. Em indivíduos em fase de dentição mista, deve-se usar o plano oclusal desenhado passando pelas cúspides dos molares decíduos e do primeiro molar permanente.

Essa análise cefalométrica é, na realidade, uma medida linear de simples obtenção e que possibilita uma fácil visualização dos pontos A e B e do plano oclusal funcional.

Referências Bibliográficas

JACOBSON, A. The "Wits" appraisal of jaw disharmony. American Journal of Orthodontics, Saint Louis, v. 67, n. 2, p. 125-138, feb. 1975.

________. WITS appraisal in radiographic cephalometry from basics to videoimaging, p.97-112, 1995.

RAVELLI, D. B. et al. Análise cefalométrica de WITS. In: ________. Ortodontia: Análises cefalométricas mais usuais ao seu alcance. Rima: São Carlos, 2007. p. 83-85.



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