A Distração Osteogênica Como Uma Alternativa Terapêutica Quando de Complexas Deformidades Maxilofaciais
Prof. Dra. Marília Gerhardt de Oliveira
As reconstruções ósseas têm sido cercadas de dificuldades, como: a obtenção de tecido ósseo em quantidade suficiente, a alta morbidade para a obtenção de enxertos e, muitas vezes, os resultados pouco satisfatórios na área da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.
A Distração Osteogênica (DO) é a técnica que tem sido aplicada para aumentar ou reparar defeitos da mandíbula, do maxilar ou do complexo craniofacial. Nesse contexto, a DO apresenta-se como uma alternativa promissora e cada vez mais sedimentada em reconstruções ósseas faciais.
A DO foi inicialmente introduzida, para reconstruir e alongar ossos longos, por Codivilla, em 1905. Mas foi Ilizarov quem desenvolveu testes clínicos e aperfeiçoou a técnica. Em Cirurgias Bucofaciais, Snyder et al. (1973) realizaram o primeiro relato da utilização de Distração Osteogênica na face.
A partir de 1992, a técnica de DO vem sendo aplicada em microssomia hemifacial, micrognatia, deformidades craniofaciais e reparo de defeitos ósseos segmentares da mandíbula. Atualmente, vem sendo amplamente utilizada previamente à instalação de implantes osseointegrados.
A DO é um processo que envolve a formação de um osso novo, entre superfícies ósseas vascularizadas, após osteotomia ou corticotomia, por meio de aparelhos funcionais. Através da osteotomia, seguida por movimentos lentos, promovidos pelo aparelho, o gap é, inicialmente, preenchido por um calo ósseo, que é substituído por tecido ósseo.
Assim, a técnica da DO é dividida em três períodos distintos. No primeiro, não há afastamento dos cotos ósseos; no entanto, inicia-se o processo reparacional (formação de um calo ósseo imaturo) que é chamado período de latência (entre zero e sete dias). Segue-se o período de ativação (teoricamente sem limite de tempo), quando os cotos ósseos são afastados gradativamente, pela ativação do aparelho distrator, até a correção da deformidade. Finalmente, tem-se o período de maturação óssea (três a sete semanas), onde o aparelho distrator pára de ser ativado, funcionando apenas como mecanismo de fixação rígida, a fim de que o calo ósseo imaturo seja mantido imobilizado para ocorrer mineralização e remodelação óssea. Somente ao final deste período, o aparelho distrator pode ser removido.
As vantagens da DO incluem a formação de osso sem a necessidade de enxerto e, portanto, de uma área doadora, diminuindo a morbidade. No entanto, o período de tratamento é mais longo, o risco de infecção é maior, há necessidade de um aparelho distrator adequado e o custo do tratamento passa a ser mais elevado.
Diversas pesquisas clínicas e científicas tem sido realizadas com o objetivo de aperfeiçoar as técnicas da DO, os aparelhos distratores, os vetores de distração, ampliando as indicações e melhorando o prognóstico e as condições dos pacientes. Nesse contexto, os mais recentes ensaios clínicos utilizando a DO demonstram, com sucesso, a sua utilização nas mais severas reconstruções maxilomandibulares, inclusive com associações de técnicas de enxerto ósseo autógenos.
Marília Gerhardt de Oliveira
Especialista e Mestre em CTBMF
Doutora em Estomatologia Clínica
Professora Titular - PUCRS
Pesquisadora por Produtividade - CNPq