Trabalhos Publicados

24 março 2010

Identificação Craniométrica

Prof. Dr. Jorge Paulete Vanrell
Profª. Lic. Maria de Lourdes Borborema Campos

"A Antropologia é a biologia comparativa dos grupos humanos, encarados do ponto de vista do sexo, da idade, da constituição e da raça" (Fróes da Fonseca e Roquette Pinto, 1929, 1953).

Dentre as diversas divisões da Antropologia - Antropologia zoológica, Antropologia racial, Antropotipologia e Antropogênese ou Palentologia humana - a Antropotipologia, estudando os tipos constitucionais, consoante o sexo, a idade, os característicos individuais e os característicos profissionais, é a que melhor se presta para permitir a identidade médico-legal ou a identidade judiciária ou policial dos indivíduos.

Ainda, dentro da Antropotipologia, despontam dois grandes métodos de estudo. Um, a Antroposcopia, de uso mais popular e menos científico, que engloba o estudos dos característicos descritivos subjetivos e que não são passíveis de mensuração. O segundo método, a Antropometria, é mais objetivo, baseando-se na tomada de medidas, ângulos e projeções das diferentes partes do corpo ou dos seus característicos mensuráveis.

Resulta evidente que, dentro dos limites a que se propõe este trabalho, a amplitude da Identificação Antropométrica deverá ser menos ambiciosa e, ao invés de estudar o corpo todo, limitar-se-á à Craneometria, isto é, à realização e exame das medições antropométricas apenas das diversas partes do crânio, sempre visando estabelecer identidade quanto à constituição, ao sexo, à raça e à idade do indivíduo.

É que com relativa freqüência, são encaminhadas ao Núcleo de Perícias Médico-Legais do IML local, oriundas da Região, ossadas ou partes delas, para que se proceda à sua identificação.

Trata-se, em geral, de um trabalho demorado, um diálogo silencioso que o pesquisador estabelece com os restos que lhe são encaminhados, visando achar informações, obter dados fidedignos e inequívocos, objetivando conseguir respostas materiais.

Nesses casos e quando o ossada está completa, o Médico Legista trabalha principalmente com os ossos do esqueleto axial, dos membros e dos cíngulos. O Odontolegista, por sua vez, pesquisa os dentes, as peças ósseas do neurocrânio e do viscerocrânio (esplacnocrânio) ou seus fragmentos que, às vezes, são os únicos elementos com que se conta. Desta maneira, o Odontolegista, em todos os casos, utilizando os dados objetivos da Craneometria assume um papel decisivo na identificação individual.

Pontos Craniométricos

São determinados locais do crânio ósseo que se tomam como pontos de referência para seu estudo e medição.

Deve salientar-se que nem todos os pontos craniométricos correspondem ao neurocrânio, uma vez que se encontram alguns pontos no maciço facial (esplacnocrânio ou viscerocrânio).

Os pontos craniométricos dividem-se, pela sua posição anatômica, em:

  • pontos medianos ou ímpares, em número de 16, e;
  • pontos laterais ou pares, em número de 24 (12 x 2 ou 12 pares).

1. Os pontos craniométricos medianos, da frente para trás, são:

  • ponto mentoniano, no centro da eminência mentoniana;
  • ponto alveolar inferior, na borda alveolar inferior;
  • ponto alveolar superior, na borda alveolar superior;
  • ponto espinhal ou subnasal, no centro da espinha nasal anterior;
  • rinio, no extremo inferior, livre, da sutura internasal;
  • nasio, sobre a sutura fronto-nasal;
  • glabela, no centro da protuberância frontal média;
  • ofrio, no centro do diâmetro frontal mínimo;
  • bregma, no ponto onde se encontram as suturas coronal e sagital;
  • obelio, sobre a sutura sagital ao nível dos dois orifícios parietais, ou de um só se o outro está ausente (si faltarem ambos os orifícios, o ponto corresponde à porção menos denteada da sutura);
  • lambda, no ponto de união das suturas sagital e lambdóide;
  • inio, no centro da protuberância occipital externa;
  • opistio, no borda posterior do forame occipital;
  • basio, no borda anterior do forame magno (forame occipital).

Há dois pontos que correspondem a locais não-fixos da abóbada:

  • opistocrânio ou occipúcio, no extremo posterior do diâmetro longitudinal máximo do crânio, sobre a porção cerebral da escama do occipital, e;
  • vértex, na parte mais alta do crânio.

2. Os pontos craniométricos laterais, são em número de doze de cada lado, a saber:

  • gonio, no lado externo do vértice do ângulo do maxilar inferior;
  • ponto condíleo, na parte mais alta do cóndilo da mandíbula;
  • ponto glenóide, no centro da cavidade glenóide do temporal;
  • ponto jugular, sobre a sutura mastoidéo-occipital, ao nível da borda posterior da apófise jugular do occipital;
  • ponto malar, na parte mais saliente da face externa do osso malar (zigoma);
  • ponto fronto-temporal, sobre a crista lateral do frontal, no extremo do diâmetro frontal mínimo;
  • estefanio, na interseção da sutura coronal e a linha curva temporal superior;
  • dacrio, onde se encontram o frontal, a apófise ascendente do maxilar superior e o unguis, na parede interna da cavidade orbitária;
  • asterio, onde se encontram o occipital, o parietal e a porção mastoidéa do temporal;
  • pterio, que mais que um ponto, é uma zona, onde se encontram quatro ossos: o frontal, o parietal, o temporal e o esfenóide;
  • eurio, no extremo do diâmetro transverso máximo do crânio, sobre a protuberância parietal, e;
  • porio, na parte mais alta da borda superior do orifício do conduto auditivo externo.


Principais pontos craniométricos (modificado de Testut & Latarjet)

Identificação do Sexo pela Constituição

Em 77 % dos casos, o diagnóstico diferencial do sexo, pode ser feito utilizando os elementos que fornece a inspecção do crânio e da mandíbula, apenas.

Os elementos que se compulsam para fazer o diagnóstico diferencial são os seguintes:

MulherHomem
Fronte mais verticalFronte mais inclinada para trás
Glabela não saliente; continuação do perfil fronto-nasalGlabela e arcos superciliares salientes
Articulação fronto-nasal curvaArticulação fronto-nasal angulosa
Rebordas supra-orbitárias cortantesRebordas supra-orbitárias rombas
Apófises mastóides menos desenvolvidas. Quando o crânio é colocado sobre um plano, ele apóia-se no maxilar e no occipital, com menor estabilidadeApófises mastóides proeminentes, servindo de pontos de apoio, tornando o crânio mais estável quando colocado sobre um plano
Peso - Crânio mais levePeso - Crânio mais pesado
Mandíbula menos robusta, cristas de inserções musculares menos pronunciadas. Muito mais achatada (peso médio 63g)Mandíbula mais robusta, com cristas de inserções musculares mais acentuadas. Muito arqueada (peso médio 80g)
Côndilos occipitais curtos e largosCôndilos occipitais longos e estreitos
Apófises mastóides e estilóides menoresApófises mastóides e estilóides maiores

Parte destas características diferenciais podem ser observadas nos diagramas comparativos mostrados abaixo:


Diagrama comparativos: à esquerda, crânio feminino; à direita, crânio masculino

Identificação do Sexo

Depois da bacia que, sem dúvidas, é a melhor estrutura para fazer diagnóstico diferencial de sexo, o crânio ocupa o segundo lugar. Utilizando dados objetivos (dimensões dos côndilos occipitais) e cálculos matemáticos relativamente simples, é possível obter valores de discrimação do dimorfismo sexual superiores a 90 %.

O índice de Boudoin

Utiliza as dimensões dos côndilos occipitais. Já, subjetivamente, os côndilos aparecem, longos e estreitos, no sexo masculino; curtos e largos, no sexo feminino.O índice de Baudoin é obtido pela relação entre a largura do côndilo e o seu comprimento máximo, relacionados pela fórmula:

largura do côndilo

Índice Condíleo = - - - - - - - - - - - x 100

comprimento do côndilo

Os valores do índice, são interpretados como discriminantes do dimorfismo sexual, da seguinte maneira:

ÍndiceSexo do crânio
> 55feminino
entre 50 e 55crânio de determinação duvidosa
< 50masculino

Por si só, o índice de Baudoin, oferece uma percentagem de acerto, isto é, de discrimação sexual, considerada estatisticamente baixa, da ordem de 60 %.


Diagrama da base do crânio (face externa) para mostrar a forma de medição dos diâmetros condíleos (em vermelho) e do forame magno (em celeste).

O índice dos diâmetros do forame magno

O índice dos diâmetros do forame magno (buraco occipital) é obtido pela relação entre a largura do mesmo (distância látero-lateral) e o seu comprimento máximo (distância ântero-posterior), relacionados pela fórmula:

largura do forame

Índice do forame magno = - - - - - - - - - - - x 100

comprimento do forame

Os valores do índice, são interpretados como discriminantes do dimorfismo sexual, da seguinte maneira:

ÍndiceSexo do crânio
> 35,0masculino
entre 30,0 e 35,0provavelmente masculino
entre 28,5 a 30,5determinação duvidosa
entre 25,0 e 28,5provavelmente feminino
< 25feminino

A distância bigoníaca (bigoniônica)

Consiste na medição absoluta, direta, da distância entre os pontos gonio (cfr. retro) da mandíbula adulta. Os valores obtidos podem ser usados como função discriminante, nos limites da seguinte tabela:

ÍndiceSexo do crânio
> 112,0masculino
entre 102,5 a 112,0provavelmente masculino
entre 95,0 e 102,5determinação duvidosa
entre 85,0 e 95,0provavelmente feminino
< 85,0feminino

O método de Galvão

Em 1994, estudando 145 crânios de procedência conhecida, o Prof. Galvão, de Salvador, BA, após reavaliar todas as funções discriminantes até então utilizadas, estabeleceu uma fórmula que relacionando a proeminência ou não da glabela e dos processos mastóides, com os diâmetros ou distâncias entre o meato auditivo externo (MAE) e o ponto lambda (MAE/L) e o meato auditivo externo (MAE) e o ponto espinhal ou subnasal (MAE/ENA), permite apreciar com boa margem de segurança - 93,8 % - o sexo de um crânio dado. A fórmula é a seguinte:

e (36,1218 + 5,3846 x G + 2,7035 x APOMAST - MAE/ENA - MAE/L)

Sexo = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

1 + e (36,1218 MAE/L)

onde e = constante cujo valor é 2,71828

Para facilitar o trabalho de mensuração, utiliza-se um aparelho simples e engenhoso denominado Craniômetro de Galvão, que fixa o crânio, em posição ortostática, através de olivas introduzidas nos meatos auditivos externos, permitindo fazer as medições em relação aos pontos craniométricos medianos, de maneira cômoda:


Craniômetro de Galvão

Através deste método não apenas as distâncias entre citados pontos podem ser medidas como, também, com outros pontos alocados no plano sagital, como se vê na figura seguinte:


Pontos craniométricos utilizados para avaliação do sexo, conforme Galvão, centrados no meato auditivo externo (MAE).

Identificação da Raça

Conquanto a miscigenação dos grupos étnico seja um fator inquestionável ao ponto de, cada vez, ser mais difícil encontrar "raças puras", é inegável que há traços morfológicos que perduram, resistindo a essa mistura racial.

Muito embora um grande número de referidos traços seja mais encontradiço nas partes moles do corpo, notadamente na pele e na região cefálica, sendo objeto de estudo da Antropologia Racial, como vimos no início deste capítulo, muitos outros podem ser encontrados no esqueleto. Alguns destes, como é o caso, por exemplo, dos ossos longos das extremidades, escapam dos limites deste trabalho que é devotado essencialmente aos achados que podem ser feitos no crânio, de maior interesse, para o Odontolegista.

Assim sendo, neste item, seguindo a Simonin, nossa atenção será centrada nos caracteres étnicos do crânio que podem ser calculados através de:

  • Índices cranianos (formatos das normas cranianas):
    • horizontal,
    • sagital (vertical lateral ou perfil),
    • transversal (vertical posterior).
  • Índice facial superior,
  • índice nasal,
  • índice de prognatismo (do perfil facial ou ângulo facial).

Índices cranianos

São correlações percentuais, segundo as fórmulas estabelecidas por Retzius, entre diâmetros ou distâncias máximas, medidos entre pontos craniométricos ou anatômicos determinados, que constam do rol apresentado no início deste capítulo (cfr. supra), a saber:

  • bregma
  • basio
  • lambda
  • metalambda
  • glabela
  • nasio
  • espinhal (subnasal)
  • prostio
  • malar
  • eurio

Índice cefálico horizontal (índice horizontal)

Relaciona, no plano horizontal, a latitude (largura máxima) com a longitude (comprimento) do crânio:

largura máxima (eurio - eurio)

Índice cefálico horizontal = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100


comprimento máximo (glabela - metalambda)

Índice cefálico horizontal (índice horizontal)

Índice horizontalTipo de crânioGrupos étnicos
< 74,9dolicocrâniocaucásicos nórdicos (escandinavos, ingleses), negróides africanos, berberes, australóides
74,9 - 80,0mesocrâniomongólicos
> 80,0braquicrâniocaucásicos (européus centrais)

Índice sagital (vertical lateral ou perfil)

Relaciona, percentualmente e no plano sagital, a altura máxima do crânio com o seu comprimento máximo:

altura máxima (basio - bregma)

Índice vertical lateral = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100

comprimento máximo (glabela - metalambda)

Índice sagital (vertical lateral ou perfil)

Índice verticalTipo de crânioGrupos étnicos
> 75,0hipsicrâniomongólicos, negróides
75,0 - 69,0mesocrâniocaucásicos
< 69,0platicrâniocrânios fósseis

Índice transversal (vertical posterior)

Relaciona, percentualmente e no plano frontal, a altura máxima do crânio com o seu comprimento máximo:

altura máxima (basio - bregma)

Índice vertical lateral = - - - - - - - - - - - - - - - x 100

largura máxima (eurio - eurio)

Índice transversal (vertical posterior)

Índice verticalTipo de crânioGrupos étnicos
> 98,0estenocrâniocaucásicos (européus do centro)
98,0 - 91,9metriocrâniomongólicos
< 91,9tapinocrânionegróides, caucásicos (européus do norte e do sul)

Índice facial superior (índice prosopométrico)

Relaciona, percentualmente e no plano frontal, a altura máxima do maciço facial com a largura máxima da face:

altura máxima da face (nasio - prostio)

Índice facial superior = - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100

largura máxima da face (malar - malar)

Índice facial superior (índice prosopométrico)

Índice facialTipo de faceGrupos étnicos
> 55,0dolicofacialcaucásicos (européus nórdicos, escandinavos), polinésios, árabes
55,0 - 49,9mesofacialnegróides africanos
< 49,9braquifacialaustralóides, mongólicos (lapões), crânios fósseis

Índice nasal

Relaciona, percentualmente e no plano frontal, a largura nasal máxima com aaltura do nariz:

largura nasal máxima

Índice nasal = - - - - - - - - - - - - - - x 100


altura nasal (nasio - espinhal)

Índice nasal

Índice nasalTipo de faceGrupos étnicos
< 47,9leptorrinocaucásicos
47,9 - 53,0mesorrinomongólicos
> 53,0platirrinonegróides africanos, australóides, crânios fósseis

Ângulo facial

É formado entre o plano frontal passando rente ao esplacnocrânio, e o plano horizontal que passando pelo centro do meato auditivo externo (MAE), intersecta o anterior, quer na espinha nasal inferior (EN), ângulo de Jacquart; quer no ponto próstrion, ângulo de Cloquet; quer na reborda incisal dos incisivos centrais superiores, ângulo de Cuvier:


Ângulos faciais segundoi Jacquart, Cloquet e Cuvier.

Na prática, o ângulo mais usado é o de Cloquet, que oferece variações bem caracterizadas:

Ângulo facial de Cloquet

Ângulo facialPerfil da faceGrupos étnicos
< 83ºPrognatoNegróides africanos, australóides
83ºMesognatoMongólicos meridionais
> 83ºOrtognatoCaucásicos (brancos)

Tipos de Prognatismo

Íntimamente ligado com o ângulo facial (cfr. supra), que seria apenas a sua quantificação, encontra-se o grau ou tipo de prognatismo.

Com efeito, "o prognatismo - projeção anterior do maciço ósseo facial - é do tipo alveolar (facial baixo), pronunciado nos negros, nos quais a boca salienta para a frente do rosto."

"Nos amarelos o prognatismo é do tipo facial alto, projetando para a frente não só o maciço facial como especialmente os ossos malares."

"Nos brancos o prognatismo é pouco pronunciado ou inexistente, e o crânio apresenta o perfil vertical, com projeção anterior dos ossos próprios do nariz." (Teixeira, 1975)

Tudo o exposto pode observar-se na figura comparativa seguinte:


Variáveis de prognatismo racial: a) ortognatismo, na raça branca (caucasóides); b) prognatismo mandibular, na raça negra (negróides); c) prognatismo maxilar ou facial, na raça amarela (mongolóides) [modificado de Teixeira, 1975].

Identificação da Idade

Pelas suturas cranianas

A observação cuidadosa das suturas cranianas oferece um bom auxílio quando se pretende efetuar o cálculo aproximado da idade ou, melhor, da faixa etária possível do indivíduo.

Com efeito, as crânio-sinostoses, com o passar do tempo passam a ter suas interdigitações atravessadas por pontes de tecido ósseo. Este processo é incoativo, isto é, ocorre lenta e inelutavelmente, em épocas diferentes da vida mas guardando certa constância, de forma tal que as suturas coronária, sagital e lambdóide podem ser divididas, cada uma delas, em três setores diferentes, em face da cronologia dessa ossificação articular.

Conforme autores abalizados como, por exemplo, o mestre Bonnet, a margem de equívocos ou dubiedades é grande, uma vez que em 30% dos casos, não há coincidência entre os valores etários calculados pelo apagamento das suturas cranianas, e a idade real do indivíduo.

Os sinais de "envelhecimento" começam a aparecer nos ossos, logo após o término da soldadura das epífises às diáfises, em geral por volta dos 25 aos 28 anos. Assim, quando se dispões de um crânio para ser analisado, a idade pode ser estudada, acompanhando as alterações nas suturas entre os ossos cranianos (isto sem contar com outros referentes a alterações degenerativas de escápula e de vértebras).

Não obstante, a margem de erro no diagnóstico da idade com base no estudo do apagamento das suturas cranianas, é bastante grande (30 %, segundo Bonnet). Com efeito, em média é de dez anos, e, às vezes, até em limites maiores e que não se conseguem precisar.


Idades da soldadura das suturas cranianas: à esquerda, face externa; à direita, face interna. Os números indicam a idade em anos em que se processa a sinostose.

Quando o cranio mostra, ainda, todas as suturas presentes, não apagadas, "grosso modo" pode-se calcular que a pessoa tinha menos de trinta anos ao falecer. Quando todas as suturas estão apagadas, teria provavelmente, mais de oitenta. Uma vez que esses dados são, de regra, bastante variáveis, ao se fazer uma perícia de idade, o perito tem que tomar muitas precauções e compulsar todos os outros elementos de diagnóstico possíveis, antes de relatar o caso, quer formulando uma hipótese, quer dando o seu diagnóstico definitivo.

O apagamento das suturas cranianas se faz, primeiramente, na superfície interna do crânio, onde a sua apreciação é menos sujeita aos já possíveis erros e, apenas depois, na face externa.

Pela mandíbula

1. O ângulo mandibular

No exame da mandíbula pode interessar o gônio, ângulo mandibular ou ângulo goniônico, que é aquele formado pelo ramo ascendente (cérvico-cranial) e o ramo horizontal (cérvico-facial) da mandíbula.


Variações do ângulo mandibular, conforme a idade: da esquerda para direita, recém nascido, adulto, velho.

De acordo com Martin, este ângulo mandibular, no recém-nascido, varia de 160 a 170º. Com a evolução etária ele diminui paulatinamente até atingir, no adulto, entre 95 e 100º, após este estágio, aumenta à razão de 0,186º a cada ano. alcançando, no velho, entre 130 e 140º.

Determinação da Idade pelo Ângulo Mandibular (Ernestino Lopes)

MínimoMáximoMédioIdade (anos)
110º135º130º5 a 10
110º130º125º11 a 15
110º125º120º16 a 20
110º120º115º21 a 25
105º120º110º26 a 35
105º120º110º36 a 45

A simplicidade e practicidade deste método faz com que alguns autores ainda prefiram usá-lo, no vivo, ao invés de empregar medidas e técnicas mais complexas. Com efeito, no vivo, a deposição de sais calcáreos e de dentina secundária pode ser observada, com nitidez, nas radiografias periapicais.

2. O forame mentoniano

Paralelamente, observa-se a aproximação progressiva do forame mentoniano à reborda alveolar. Isto como conseqüência da reabsorção óssea que acompanha a perda das peças dentária e o fechamento dos alvéolos.


Posição relativa do forame mentoniano (3) em relação à borda alveolar da mandíbula (4), marcada pelo traço vermelho (apud Testut & Latarjet, modif.).
3. A redução da cavidade pulpar

O estudo da redução da cavidade pulpar na perícia de determinação da idade apresenta fortes críticas:

  • a) porque carece extrair a peça dentária que se utiliza, para poder estudá-la adequadamente;
  • b) porque a seção longitudinal do dente estraga, definitivamente a peça estudada.

É por isto que, desde o ponto de vista pericial, se considera mais prático realizar a análise do gônio ou ângulo da mandíbula.


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