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Trabalhos Publicados
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Parte destas características diferenciais podem ser observadas nos diagramas comparativos mostrados abaixo:
Diagrama comparativos: à esquerda, crânio feminino; à direita, crânio masculino Identificação do SexoDepois da bacia que, sem dúvidas, é a melhor estrutura para fazer diagnóstico diferencial de sexo, o crânio ocupa o segundo lugar. Utilizando dados objetivos (dimensões dos côndilos occipitais) e cálculos matemáticos relativamente simples, é possível obter valores de discrimação do dimorfismo sexual superiores a 90 %. O índice de BoudoinUtiliza as dimensões dos côndilos occipitais. Já, subjetivamente, os côndilos aparecem, longos e estreitos, no sexo masculino; curtos e largos, no sexo feminino.O índice de Baudoin é obtido pela relação entre a largura do côndilo e o seu comprimento máximo, relacionados pela fórmula: largura do côndilo Índice Condíleo = - - - - - - - - - - - x 100 comprimento do côndilo Os valores do índice, são interpretados como discriminantes do dimorfismo sexual, da seguinte maneira:
Por si só, o índice de Baudoin, oferece uma percentagem de acerto, isto é, de discrimação sexual, considerada estatisticamente baixa, da ordem de 60 %.
Diagrama da base do crânio (face externa) para mostrar a forma de medição dos diâmetros condíleos (em vermelho) e do forame magno (em celeste). O índice dos diâmetros do forame magnoO índice dos diâmetros do forame magno (buraco occipital) é obtido pela relação entre a largura do mesmo (distância látero-lateral) e o seu comprimento máximo (distância ântero-posterior), relacionados pela fórmula: largura do forame Índice do forame magno = - - - - - - - - - - - x 100 comprimento do forame Os valores do índice, são interpretados como discriminantes do dimorfismo sexual, da seguinte maneira:
A distância bigoníaca (bigoniônica)Consiste na medição absoluta, direta, da distância entre os pontos gonio (cfr. retro) da mandíbula adulta. Os valores obtidos podem ser usados como função discriminante, nos limites da seguinte tabela:
O método de GalvãoEm 1994, estudando 145 crânios de procedência conhecida, o Prof. Galvão, de Salvador, BA, após reavaliar todas as funções discriminantes até então utilizadas, estabeleceu uma fórmula que relacionando a proeminência ou não da glabela e dos processos mastóides, com os diâmetros ou distâncias entre o meato auditivo externo (MAE) e o ponto lambda (MAE/L) e o meato auditivo externo (MAE) e o ponto espinhal ou subnasal (MAE/ENA), permite apreciar com boa margem de segurança - 93,8 % - o sexo de um crânio dado. A fórmula é a seguinte: e (36,1218 + 5,3846 x G + 2,7035 x APOMAST - MAE/ENA - MAE/L) Sexo = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1 + e (36,1218 MAE/L) onde e = constante cujo valor é 2,71828 Para facilitar o trabalho de mensuração, utiliza-se um aparelho simples e engenhoso denominado Craniômetro de Galvão, que fixa o crânio, em posição ortostática, através de olivas introduzidas nos meatos auditivos externos, permitindo fazer as medições em relação aos pontos craniométricos medianos, de maneira cômoda:
Através deste método não apenas as distâncias entre citados pontos podem ser medidas como, também, com outros pontos alocados no plano sagital, como se vê na figura seguinte:
Identificação da RaçaConquanto a miscigenação dos grupos étnico seja um fator inquestionável ao ponto de, cada vez, ser mais difícil encontrar "raças puras", é inegável que há traços morfológicos que perduram, resistindo a essa mistura racial. Muito embora um grande número de referidos traços seja mais encontradiço nas partes moles do corpo, notadamente na pele e na região cefálica, sendo objeto de estudo da Antropologia Racial, como vimos no início deste capítulo, muitos outros podem ser encontrados no esqueleto. Alguns destes, como é o caso, por exemplo, dos ossos longos das extremidades, escapam dos limites deste trabalho que é devotado essencialmente aos achados que podem ser feitos no crânio, de maior interesse, para o Odontolegista. Assim sendo, neste item, seguindo a Simonin, nossa atenção será centrada nos caracteres étnicos do crânio que podem ser calculados através de:
Índices cranianosSão correlações percentuais, segundo as fórmulas estabelecidas por Retzius, entre diâmetros ou distâncias máximas, medidos entre pontos craniométricos ou anatômicos determinados, que constam do rol apresentado no início deste capítulo (cfr. supra), a saber:
Índice cefálico horizontal (índice horizontal)Relaciona, no plano horizontal, a latitude (largura máxima) com a longitude (comprimento) do crânio: largura máxima (eurio - eurio) Índice cefálico horizontal = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100
comprimento máximo (glabela - metalambda) Índice cefálico horizontal (índice horizontal)
Índice sagital (vertical lateral ou perfil)Relaciona, percentualmente e no plano sagital, a altura máxima do crânio com o seu comprimento máximo: altura máxima (basio - bregma) Índice vertical lateral = - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100 comprimento máximo (glabela - metalambda)
Índice sagital (vertical lateral ou perfil)
Índice transversal (vertical posterior)Relaciona, percentualmente e no plano frontal, a altura máxima do crânio com o seu comprimento máximo: altura máxima (basio - bregma) Índice vertical lateral = - - - - - - - - - - - - - - - x 100 largura máxima (eurio - eurio)
Índice transversal (vertical posterior)
Índice facial superior (índice prosopométrico)Relaciona, percentualmente e no plano frontal, a altura máxima do maciço facial com a largura máxima da face: altura máxima da face (nasio - prostio) Índice facial superior = - - - - - - - - - - - - - - - - - - x 100 largura máxima da face (malar - malar)
Índice facial superior (índice prosopométrico)
Índice nasalRelaciona, percentualmente e no plano frontal, a largura nasal máxima com aaltura do nariz: largura nasal máxima Índice nasal = - - - - - - - - - - - - - - x 100
altura nasal (nasio - espinhal) Índice nasal
Ângulo facialÉ formado entre o plano frontal passando rente ao esplacnocrânio, e o plano horizontal que passando pelo centro do meato auditivo externo (MAE), intersecta o anterior, quer na espinha nasal inferior (EN), ângulo de Jacquart; quer no ponto próstrion, ângulo de Cloquet; quer na reborda incisal dos incisivos centrais superiores, ângulo de Cuvier:
Ângulos faciais segundoi Jacquart, Cloquet e Cuvier. Na prática, o ângulo mais usado é o de Cloquet, que oferece variações bem caracterizadas:
Ângulo facial de Cloquet
Tipos de PrognatismoÍntimamente ligado com o ângulo facial (cfr. supra), que seria apenas a sua quantificação, encontra-se o grau ou tipo de prognatismo. Com efeito, "o prognatismo - projeção anterior do maciço ósseo facial - é do tipo alveolar (facial baixo), pronunciado nos negros, nos quais a boca salienta para a frente do rosto." "Nos amarelos o prognatismo é do tipo facial alto, projetando para a frente não só o maciço facial como especialmente os ossos malares." "Nos brancos o prognatismo é pouco pronunciado ou inexistente, e o crânio apresenta o perfil vertical, com projeção anterior dos ossos próprios do nariz." (Teixeira, 1975) Tudo o exposto pode observar-se na figura comparativa seguinte:
Variáveis de prognatismo racial: a) ortognatismo, na raça branca (caucasóides); b) prognatismo mandibular, na raça negra (negróides); c) prognatismo maxilar ou facial, na raça amarela (mongolóides) [modificado de Teixeira, 1975]. Identificação da IdadePelas suturas cranianasA observação cuidadosa das suturas cranianas oferece um bom auxílio quando se pretende efetuar o cálculo aproximado da idade ou, melhor, da faixa etária possível do indivíduo. Com efeito, as crânio-sinostoses, com o passar do tempo passam a ter suas interdigitações atravessadas por pontes de tecido ósseo. Este processo é incoativo, isto é, ocorre lenta e inelutavelmente, em épocas diferentes da vida mas guardando certa constância, de forma tal que as suturas coronária, sagital e lambdóide podem ser divididas, cada uma delas, em três setores diferentes, em face da cronologia dessa ossificação articular. Conforme autores abalizados como, por exemplo, o mestre Bonnet, a margem de equívocos ou dubiedades é grande, uma vez que em 30% dos casos, não há coincidência entre os valores etários calculados pelo apagamento das suturas cranianas, e a idade real do indivíduo. Os sinais de "envelhecimento" começam a aparecer nos ossos, logo após o término da soldadura das epífises às diáfises, em geral por volta dos 25 aos 28 anos. Assim, quando se dispões de um crânio para ser analisado, a idade pode ser estudada, acompanhando as alterações nas suturas entre os ossos cranianos (isto sem contar com outros referentes a alterações degenerativas de escápula e de vértebras). Não obstante, a margem de erro no diagnóstico da idade com base no estudo do apagamento das suturas cranianas, é bastante grande (30 %, segundo Bonnet). Com efeito, em média é de dez anos, e, às vezes, até em limites maiores e que não se conseguem precisar.
Idades da soldadura das suturas cranianas: à esquerda, face externa; à direita, face interna. Os números indicam a idade em anos em que se processa a sinostose. Quando o cranio mostra, ainda, todas as suturas presentes, não apagadas, "grosso modo" pode-se calcular que a pessoa tinha menos de trinta anos ao falecer. Quando todas as suturas estão apagadas, teria provavelmente, mais de oitenta. Uma vez que esses dados são, de regra, bastante variáveis, ao se fazer uma perícia de idade, o perito tem que tomar muitas precauções e compulsar todos os outros elementos de diagnóstico possíveis, antes de relatar o caso, quer formulando uma hipótese, quer dando o seu diagnóstico definitivo. O apagamento das suturas cranianas se faz, primeiramente, na superfície interna do crânio, onde a sua apreciação é menos sujeita aos já possíveis erros e, apenas depois, na face externa. Pela mandíbula1. O ângulo mandibularNo exame da mandíbula pode interessar o gônio, ângulo mandibular ou ângulo goniônico, que é aquele formado pelo ramo ascendente (cérvico-cranial) e o ramo horizontal (cérvico-facial) da mandíbula.
Variações do ângulo mandibular, conforme a idade: da esquerda para direita, recém nascido, adulto, velho. De acordo com Martin, este ângulo mandibular, no recém-nascido, varia de 160 a 170º. Com a evolução etária ele diminui paulatinamente até atingir, no adulto, entre 95 e 100º, após este estágio, aumenta à razão de 0,186º a cada ano. alcançando, no velho, entre 130 e 140º. Determinação da Idade pelo Ângulo Mandibular (Ernestino Lopes)
A simplicidade e practicidade deste método faz com que alguns autores ainda prefiram usá-lo, no vivo, ao invés de empregar medidas e técnicas mais complexas. Com efeito, no vivo, a deposição de sais calcáreos e de dentina secundária pode ser observada, com nitidez, nas radiografias periapicais. 2. O forame mentonianoParalelamente, observa-se a aproximação progressiva do forame mentoniano à reborda alveolar. Isto como conseqüência da reabsorção óssea que acompanha a perda das peças dentária e o fechamento dos alvéolos.
Posição relativa do forame mentoniano (3) em relação à borda alveolar da mandíbula (4), marcada pelo traço vermelho (apud Testut & Latarjet, modif.). 3. A redução da cavidade pulparO estudo da redução da cavidade pulpar na perícia de determinação da idade apresenta fortes críticas:
É por isto que, desde o ponto de vista pericial, se considera mais prático realizar a análise do gônio ou ângulo da mandíbula.
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