Cada vez com mais frequência, tumores odontogênicos têm sido diagnosticados na clínica diária. Muitas vezes, no entanto, estas lesões benignas podem passar despercebidas, por dois motivos principais: falta de preocupação dos pacientes e /ou desconhecimento do profissional.
Além do exame físico, primordial para o diagnóstico, a radiografia panorâmica assume papel importante, principalmente quando a instalação da lesão não apresenta sinais físicos aparentes.
O Mixoma Odontogênico, tumor odontogênico mesenquimal, derivado dos restos epiteliais do ligamento periodontal e da polpa dentária, é uma destas lesões. Geralmente de desenvolvimento lento e indolor, o paciente somente se preocupa quando o grau é tal que esteja causando assimetrias faciais.
Em estágios avançados, além do aumento de volume, a lesão causa parestesias, grandes deslocamentos dentários e reabsorções radiculares e /ou ósseas, perceptíveis clínica e radiograficamente.
Sem predileção por gênero, com a idade média de aparecimento relacionada com a terceira década de vida, o Mixoma pode surgir tanto na mandíbula quanto na maxila, normalmente apresentando consistência amolecida/gelatinosa, e pode estar interferindo com a oclusão dentária.
Em estágios iniciais pode mimetizar um abscesso odontogênico, razão pela qual o clínico deve estar atento ao diagnóstico diferencial, que se baseia no tempo de evolução, consistência da lesão e aspectos radiográficos.

Na radiografia aparece como uma área radiolúcida, com ou sem delimitação evidente, aspecto unilocular ou de favos de mel, pode também mimetizar um ameloblastoma ou um ceratocisto (tumor odontogênico ceratocístico – OMS).
Muito embora seja uma neoplasia benigna, tem potencial extremamente agressivo, pela ausência de cápsula e consistência gelatinosa, como tem sido demonstrado nos muitos relatos de recidivas na literatura. Por esta razão, o tratamento de escolha é a ressecção radical. Existem relatos de tratamento por curetagem, em lesões menores, com prognóstico bom.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar grandes mutilações (figuras 3 e 4), que geralmente resulta na necessidade de grandes reconstruções mandibulares, com ressecção radical, placa de reconstrução mandibular (figura 5 e 6) e posterior microcirurgia com enxerto microvascularizado.
No caso apresentado, a paciente, com 27 anos, mesmo com assimetria evidente de face, foi somente acompanhada clinicamente durante um ano. Ao tomar-se a radiografia panorâmica, ficou claro que a única alternativa era a ressecção radical, com margem de segurança, evitando possível recidiva, comum a este tipo de tumor odontogênico.
Pelo exposto, é míster ressaltar que o cirurgião-dentista tem papel protagonista no diagnóstico precoce. Deve estar atento para pequenos sinais que possam sugerir um tumor. Assimetrias, deslocamentos dentários, parestesias sem sintomatologia dolorosa sugerem uma investigação mais apurada.
Se houver alguma dúvida a respeito da etiologia, patogênese ou diagnóstico diferencial, exames diagnósticos, principalmente o radiográfico, devem ser solicitados o mais breve possível ou o paciente encaminhado ao profissional especialista.
REGEZI, Joseph. Patologia Oral: Correlações clínicopatológicas [tradução Alexandre de Almeida Ribeiro]. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
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